Naomi Osaka e o significado de nossas vidas

Naomi Osaka e o significado de nossas vidas

Renata Rivetti*

07 de agosto de 2021 | 08h00

Renata Rivetti. FOTO: FLAVIO TEPERMAN

PS: Contém spoiler da minissérie “Naomi Osaka: Estrela do Tênis”.

Assisti à minissérie da tenista Naomi Osaka e, além do tema da saúde mental – que está super em alta – o que mais me chamou a atenção foi algo que falo em todas as palestras sobre felicidade: o significado.

Naomi teve sua vida dedicada ao tênis e desde o início de sua carreira tinha o significado de vencer um grande campeonato, neste caso o US Open. O que, imagino, todos os atletas tenham.

Após vencer o campeonato a jovem teve um pico de felicidade, que todos temos ao conquistar um sonho. Porém, aos poucos aquela conquista virou algo passado em sua vida e como diz a adaptação hedônica, ela se acostumou com o prêmio, passando a se comparar socialmente e a querer mais – assim como também ocorre com a maioria das pessoas no mundo. E assim, o pico de felicidade se transforma em infelicidade.

Após a vitória sobre Serena Williams na final do US Open em 2018, a tenista Naomi Osaka precisava defender o título nos próximos campeonatos. Mas, como tudo na vida, será que as próximas conquistas teriam o mesmo valor e significado para ela? Será que Naomi ainda enxergava sua carreira no tênis como missão ou agora seria um “emprego automático”? De fato, na minissérie percebemos que o tênis, que antes era um sonho, havia se tornado um fardo. Então ela começa a perder jogos, além de se sentir emocionalmente abalada e infeliz.

Em 2020, com a morte de George Floyd e toda a força do movimento Black Lives Matter, Naomi se sensibiliza com o tema e percebe que precisa usar a sua voz por essa causa, o que gera um novo SIGNIFICADO para as suas partidas de tênis. A cada novo jogo ela passa a usar uma máscara de proteção com nomes de vítimas negras. E, ao levantar sua voz em prol dessa bandeira, Naomi tem o significado de ser uma influenciadora na construção de um mundo mais justo. O resultado é que ela consegue usar as sete máscaras que planejou, ganhando jogo a jogo até conquistar novamente o campeonato.

E o que isso tem a ver com o mundo corporativo? Simplesmente tudo! Quantas vezes achamos nosso trabalho um fardo e não vemos significado no que fazemos? Então, ficamos com aquele mito de que teremos propósito e significado quando abandonarmos tudo e buscarmos um ano sabático, uma mudança completa de vida.

Porém, a verdade é que o significado precisa vir de ações do dia a dia e da nossa jornada. Recentemente ouvi de uma empresa parceira que os operários de uma fábrica de produtos medicinais estavam tão cansados e tão “sem propósito”, que a sua produtividade estava mais baixa do que nunca. Até que estes profissionais ouviram feedbacks de clientes que disseram que “os produtos adquiridos estavam trazendo qualidade de vida e melhorando a sua rotina”. Então, perceberam que cada segundo da produção pode fazer a diferença na existência das pessoas.

Isso fez com os operários voltassem a ter significado em seu trabalho, mesmo que operacional, e tivessem também um ganho exponencial de produtividade.

Quando falamos de felicidade no trabalho e em nossas vidas, certamente o significado é a palavra-chave. Não seremos felizes em uma vida somente de prazer, precisamos também de significado.

E dentro das empresas precisamos resgatar esse senso de propósito nos colaboradores. Por isso, para cada ação e/ou projeto, é necessário pensar se ele tem significado. Somente assim será possível engajar as pessoas de forma genuína. E, claro, construir uma cultura positiva, o que gera pessoas mais felizes e, no final, mais produtivas.

“Felicidade são experiências de prazer e propósito ao longo do tempo” – Paul Dolan, Ph.D.

*Renata Rivetti, diretora e fundadora da Reconnect Happiness At Work

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