‘Não vou deixar barato’, escreveu Genu a doleiro da Lava Jato

Mensagem recuperada do endereço 'profissional33@gmail' mostra que ex-tesoureiro do PP, capturado na Repescagem, 29ª fase da Lava Jato, ameaçava por propinas

Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

23 de maio de 2016 | 14h58

genuestadao

João Claudio Genú. Foto: Estadão

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no endereço profissional33@gmail revela que o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu – preso nesta segunda-feira, 23, na Operação Repescagem, 29.ª etapa da Lava Jato -, fazia ameaças para garantir o recebimento de propinas do esquema instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Um e-mail enviado por Genu ao doleiro Alberto Youssef – distribuidor de propinas a políticos e ex-dirigentes da estatal petrolífera – em 28 de agosto de 2013 mostra Genu agressivo e ameaçador.

A mensagem foi transcrita pelo juiz federal Sérgio Moro no despacho em que autorizou a deflagração da Repescagem e ordenou a prisão do ex-assessor do então presidente do PP, José Janene (morto em 2010).
” Prezado, O que esta acontecendo? Não tenho tido sucesso nas coisas que vc trata comigo. Não entendo muito bem porque, sempre procurei te respeitar e considerar”, iniciou Genu o texto enviado para o endereço na ocasião usado pelo doleiro, ay.youssef@live.com.

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O ex-tesoureiro do PP, partido que assumiu o controle da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, cita as iniciais PR, em referência ao engenheiro Paulo Roberto Costa. Indicado pelo PP para o cargo de diretor de Abastecimento, Paulo Roberto foi preso pela Polícia Federal em março de 2014. Cinco meses depois ele fechou acordo de delação premiada e denunciou 29 parlamentares, entre deputados e senadores supostamente beneficiários de dinheiro ilícito.

Na mensagem ao doleiro, Genu faz menção, ainda, a ‘finado’ – alusão ao mentor do esquema desmontado na Lava Jato, José Janene.

“Ainda qdo o finado estava entre nós, a forma de aproximação era grande, o agrado era de todo jeito, se falava em amizade e tudo mais. Mas ele se foi e tudo que ouvia era da boca p fora. Vc se aproximou do PR. Nao tenho ciúme, mas me sinto traído.”

“Vc se aproximou das pessoas boas e poderosas que te apresentei, tbm não sinto ciúme, mas tbm me sinto traído”, prosseguiu João Claudio Genu. “Tudo que fizemos e que vc ficou de honrar o que me é de direito tem sido postergado a (sic) quase 2 anos. Nao compreendo. Hoje está poderoso, cortejado por todos, resolve tudo para todos. Mas eu, não quero nada, só o que me é devido. Nao consigo mais ter confiança em nada que é tratado comigo.”

Genu é mais direto. “Gostaria de avisar que não vou abrir mão de nada a que tenho direito, vou até as últimas consequências. Nem respeito as conversas sérias que tenho, como naquela 4a, junto com minha esposa, vc consegue levar em consideração. De todas as merdas estou sendo o mais prejudicado.”

O ex-tesoureiro do PP anota que seu advogado está sabendo da mensagem ao doleiro. “Meu advogado está ciente deste email. Tudo conversado c ele, inclusive as consequências, que estou disposto a assumir, mas não vou deixar barato, o que vc esta fazendo é muita sacanagem, as realidades, angústias e problemas de cada um de nós são diferentes, mas precisam ser respeitados.”

“Lembre, qualquer problema é muito ruim tanto p vc, qto para min (sic). Nao sei se é assim com os outros, mas e lamentável o que esta acontecendo comigo. Vou até as últimas consequências. No aguardo. JC genu.”