‘Não vejo em nenhum momento um risco para a democracia e o Estado de Direito’, diz Moro

‘Não vejo em nenhum momento um risco para a democracia e o Estado de Direito’, diz Moro

Em primeira entrevista coletiva à imprensa como superministro, juiz da Lava Jato classifica Bolsonaro de 'moderado' e diz que como 'homem da lei' sua presença no governo pode afastar 'receios infundados'

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

07 Novembro 2018 | 05h00

Jair Bolsonaro. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O juiz federal Sérgio Moro afirmou nesta terça-feira, 6, que não vê riscos à democracia e ao Estado de Direito e classificou o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) – criticado por opositores como um extremista – de “moderado”.

“Minha avaliação, que eu tenho do presidente eleito, é que é uma pessoa moderada”, disse Moro, em sua primeira e última entrevista coletiva à imprensa como juiz federal da Operação Lava Jato, nesses quase cinco anos de investigações. Ele se afastou dos processos nesta segunda-feira e entrou de férias para iniciar seu planejamento para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a convite de Bolsonaro.

“O presidente eleito inclusive moderou o discurso nas eleições e tem em suas manifestações recentes apresentado esse discurso mais moderado. Não vejo em nenhum momento um risco para a democracia e o Estado de Direito.”

Criticado por opositores por ter deixado a Lava Jato para assumir cargo no governo Bolsonaro, depois de ter dito publicamente que não entraria para a política, Moro afirmou na entrevista coletiva que sua presença no Ministério da Justiça deve servir para afastar “receios infundados”.

“Existem alguns receios, ao meu ver, infundados. E a minha presença no governo pode ter um efeito salutar de afastar esses receios infundados, afinal de contas eu sou um juiz, sou um homem de lei, então eu jamais admitiria qualquer solução que fosse fora da lei. Como também o presidente eleito (não admitiria).”

Moro quer levar modelo da Lava Jato para Justiça

Ainda na terça-feira, Moro disse que pretende criar forças-tarefa ao estilo da Operação Lava Jato para combater o crime organizado em todo o País. “Pretendo utilizar forças-tarefa não só contra esquema de corrupção, mas contra o crime organizado. Nova York, na década de 1980, combateu cinco famílias poderosas por meio da criação de forças-tarefa. O FBI, em conjunto com as Promotorias locais ou federais, logrou desmantelar organizações. Embora elas não tenham deixado de existir, têm uma força muito menor que no passado.”

Ele afirmou também que assumir o superministério da Justiça “não é um projeto de poder, é um projeto de tentar fazer a coisa certa”. “A ideia aqui não é um projeto de poder, mas sim um projeto de fazer a coisa certa num nível mais elevado, em uma posição que se possa realmente fazer a diferença e afastar de vez a sombra desses retrocessos.”