‘Não vai ser no meu turno como ministro que esforços anticorrupção serão perdidos’, afirma Moro

‘Não vai ser no meu turno como ministro que esforços anticorrupção serão perdidos’, afirma Moro

Ministro da Justiça afirmou, nesta segunda-feira, 1, ser necessário 'trabalhar com o sistema político' para evitar 'retrocessos' no combate à corrupção

Altamiro Silva Júnior, André Ítalo Rocha, Daniel Weterman e Mateus Fagundes

01 de abril de 2019 | 10h42

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Felipe Rau/Estadão

SÃO PAULO – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, garantiu que, enquanto estiver no cargo, o governo não permitirá retrocessos nos avanços contra a corrupção no País. Defendendo a tramitação do projeto anticrime que apresentou ao Congresso, enquanto o Legislativo também discute a reforma da Previdência, Moro declarou também que o combate à criminalidade vai gerar ganhos para a economia no País.

“Não vai ser no meu turno como ministro que nós vamos deixar esses esforços anticorrupção serem perdidos”, disse Moro durante o evento “Estadão Discute Corrupção”, realizado na sede do jornal O Estado de S.Paulo em parceria com o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) para discutir as operações Lava Jato e Mãos Limpas.

Ele se demonstrou otimista com o avanço dos trabalhos contra a corrupção. “Não existe possibilidade de retrocesso. Pessoas estão cumprindo suas penas, algumas já cumpriram suas penas”, observou.

Para Moro, é necessário auxílio do governo, do Congresso e das cortes judiciais para que não haja retrocesso. Ao defender o pacote anticrime, Moro declarou que a proposta visa a diminuir as oportunidades para prática de corrupção. O ministro enfatizou com que o avanço no trabalho iniciado pela Operação Lava Jato vai gerar ganhos para a economia brasileira. “Temos que trabalhar juntos com o sistema político, o Congresso, o governo e as cortes judiciais para que não tenhamos retrocessos no avanço anticorrupção.”

Lava Jato. Ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro defendeu o instrumento de prisões preventivas e, ao fazer referência às prisões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), declarou que não tem essas detenções como um “troféu”. “Não é um troféu. Quando um juiz manda alguém à prisão é sempre algo lamentável. Pessoalmente, o juiz nunca fica feliz com isso. No mundo ideal, talvez tivéssemos algo lamentável, mas pessoas devem responder por suas escolhas.”

Ele classificou como “escabrosos” os modelos de contratos feitos nas refinarias de Pasadena (EUA) e Abreu e Lima para desvio de recursos públicos destinado ao pagamento de propina a agentes da Petrobras e políticos. “Esse sistema de corrupção impede a produtividade, impede a eficiência econômica”, declarou o ministro.

O ministro destacou que um ponto similar entre com a Operação Mãos Limpas, na Itália, é a existência de um sistema de corrupção. “Era muito mais que um grupo criminoso praticando crimes, mas um sistema que havia sido construído de captura do sistema estatal para fins privados”, comentou Moro em referência às investigações no Brasil.

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