‘Não tenho absolutamente nada a ver e quero que se esclareça isso’, diz Carlos Gabas

‘Não tenho absolutamente nada a ver e quero que se esclareça isso’, diz Carlos Gabas

Ex-ministro, que foi alvo de condução judicial da Polícia Federal, disse que quer depor para esclarecer que não tem envolvimento no esquema que teria desviados R$ 100 milhões

Mateus Coutinho, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de junho de 2016 | 11h20

Carlos Gabas. Foto: André Dusek/Estadão

Carlos Gabas. Foto: André Dusek/Estadão

Alvo de condução judicial da Polícia Federal em sua residência nesta quinta-feira, 23, na Operação Custo Brasil, o ex-ministro Carlos Gabas afirmou nesta manhã que considera importante que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público avancem, mas disse que não tem relação nenhuma com as investigações de hoje e que, inclusive, já acionou sua advogada para ir à PF prestar depoimento sobre o caso.

“Não tenho absolutamente nada a ver e quero esclarecer isso”, disse Gabas que foi ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC) do Governo Dilma, ministro da Previdência Social e já ocupou o cargo de secretário especial da Previdência Social depois que a Pasta foi unida ao ministério do Trabalho. Segundo o ex-ministro, ele foi alvo de buscas.

O procurador da República Andrey Borges de Mendonça explicou como é uma condução judicial. “O juiz responsável pelo caso entendeu que deveria ser garantido à pessoa alvo desses mandados a possibilidade de exercer o direito ao silêncio. Se ele dissesse ‘eu quero exercer o meu direito ao silêncio’, ele não seria levado para prestar esclarecimento. Aqueles que não foram levados foi porque exercitaram o direito de ficar em silêncio”, afirmou. “Essa é a alternativa que o juiz falou: se ele exercitar o direito de ficar em silêncio, então, ele sequer foi levado à delegacia para ser ouvido. Aqueles que quiseram ser ouvidos, vão ser ouvidos e dar seu depoimento espontâneo. Inclusive, ele tinha que assinar que iria ou não exercer seu direito ao silêncio. Por isso nós não estamos usando esta expressão, até porque o juiz não a utiliza na decisão, condução coercitiva. Sim, uma condução judicial.”

Segundo o ex-ministro, o Ministério da Previdência durante a sua gestão não teve nenhum relacionamento com a Consist. A empresa teria pago propinas após vencer uma licitação do Ministério do Planejamento para prestar serviços de informática no âmbito do acordo técnico entre o Ministério do Planejamento e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP) para gestão de margem consignável em folha de pagamento dos servidores públicos federais.

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A citação a Gabas foi feita pelo ex-vereador petista preso na Lava Jato e delator Alexandre Romano, conhecido como Chambinho e um dos responsáveis pelo esquema de propinas no Planejamento. Segundo Chambinho, Gabas teria recebido propina acertada com o PT cobrada da Consist. O negócio teria como principal beneficiados o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicação), preso nesta manhã, e sua mulher a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Segundo o delator, o ex-ministro teria se beneficiado do esquema a partir de 2012 porque, segundo Chambinho, na renovação do acordo de cooperação que tinha a Consist como beneficiária no Ministério do Planejamento, o secretário executivo adjunto da pasta Valter Correia “colaborou”. A partir daí, a JD2, uma das empresas utilizadas para fazer o repasse da propina, “iria receber 50% do valor de 1/3 que era dedicado ao Ministro do Planejamento Paulo Bernardo”.

O delator diz ter ouvido do sócio da JD2 que o valor era dividido entre Gabas, Valter Correia e uma terceira pessoa. A propina foi paga nessa proporção até janeiro de 2015, quando aumentou a participação da JD2. “Ficando esta estabelecida no valor de R$ 300 mil.”

O ex-ministro rechaça as afirmações do delator, disse que elas são baseadas apenas no que Chambinho disse ter ouvido de outra pessoa. “Eu quero que esclareça, eu quero ir lá prestar depoimento”, afirmou.

 

 

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