‘Não tem recado pra parar a Lava Jato’, afirma delegado de Curitiba

‘Não tem recado pra parar a Lava Jato’, afirma delegado de Curitiba

Igor Romário de Paula, coordenador da força-tarefa que durante três anos e quatro meses se dedicou exclusivamente à maior investigação já realizada contra a corrupção no País, disse nesta quinta-feira, 6, que 'não tem nenhum tipo de interferência' nos trabalhos

Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

06 de julho de 2017 | 19h08

Da esq. para a dir, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o superintendente Rosalvo Ferreira Franco, o delegado Igor Romário de Paula e o auditor Roberto Leonel de Oliveira Lima / Foto: EFE/Pedro Filho

O delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba – base da grande investigação sobre propinas e cartel na Petrobrás e desdobramentos diversos -, disse nesta quinta-feira, 6, que ‘por decisão nossa’ a equipe que atuava exclusivamente no caso foi incorporada à Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor), braço da Superintendência no Paraná.

“Foi uma decisão nossa, não foi de Brasília. Uma decisão de caráter exclusivamente operacional”, declarou Igor.

A Lava Jato, no auge da investigação, chegou a ter um elenco com mais de dez delegados em dedicação exclusiva, além de agentes, escrivães e peritos criminais federais.

Foi uma época, sobretudo entre 2014 e 2016, em que multiplicavam-se os alvos ligados a partidos políticos e dirigentes da Petrobrás.  Hoje são quatro delegados.

Igor Romário assegurou que a fusão da equipe especial da Lava Jato com a Delegacia de Combate à Corrupção ‘não tem nenhum tipo de interferência, recado prá segurar as investigações, prá parar os procedimentos’.

“Não tem nada disso”, afirmou.

Nesta quinta-feira, 6, a direção-geral da PF informou que a medida que põe fim à exclusividade da força-tarefa da Lava Jato visa ‘priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário’. Em nota oficial, a PF destacou que a incorporação da equipe especial pela Delegacia ‘permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações’.

Segundo Igor Romário de Paula, ‘foi uma decisão administrativa, do ponto de vista operacional, para dar continuidade aos trabalhos’.

Igor assinalou, ainda, que ‘hoje nossa demanda de procedimentos em andamento é bem menor do que era no ano passado’.

“Não que deixou de ter importância, ela (Lava Jato) tem procedimentos de grande importância, investigações muito importantes. Mas ela é em númro bem menor, bem menor.”

Segundo Igor, hoje a média de procedimentos que cada delegado conduz  em Curitiba ‘mal chega a vinte inquéritos’. Cada um dos quatro delegados da Lava Jato tem em mãos 20 inquéritos.

“Claro, não dá prá comparar a natureza dos inquéritos, mas os delegados da Superintendência chegam a ter 200, 250 inquéritos. Então, eles (delegados da Lava Jato) têm 20 (inquéritos) cada um, sendo que em média, desses 20, temos quatro ou cinco ainda com perspectivas. As outras são coisas antigas.”

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