‘Não sou operador de nada, nem de ninguém’, diz alvo da Lava Jato

Bernardo Freiburghaus, dado pela força-tarefa como foragido na Suíça, afirma que ex-diretor da Odebrecht, com quem trocou 135 telefonemas entre 2010 e 2013, é seu cliente

Redação

09 de julho de 2015 | 20h13

Por Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Registro de Freiburghaus na Interpol. Foto: Reprodução

Registro de Freiburghaus na Interpol. Foto: Reprodução

Apontado pela força-tarefa da Lava Jato como operador de propinas da Odebrecht na Suíça, Bernardo Freiburghaus contestou nesta quinta-feira, 9, a relação entre os 135 telefonemas que trocou com o diretor da empreiteira Rogério Araújo – afastado do cargo depois de ser preso – e os repasses feitos para as contas na Suíça do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Em petição encaminhada ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Lava Jato, a defesa de Freiburghaus alega que ele “não é operador de nada, nem de ninguém”.

No documento, a defesa alega ainda que Freiburghaus é um “agente de investimentos” e que as acusações contra ele são “criação mental” da Procuradoria da República. “Com a devida vênia, as acusações formuladas contra o requerente são despropositadas, merecendo repúdio, por repousar em verdadeira criação mental da acusação, que vem dedicando ao requerente uma função nos fatos em apuração completamente dissociada da realidade”, afirma o texto da defesa de Freiburghaus.

Ao rastrear os 135 telefonemas entre Rogério Araújo, preso na fase Erga Omnes,da Lava Jato, em 19 de junho, e Freiburghaus, a força-tarefa identificou 28 conjuntos de ligações seguidas por operações nas contas de Costa até oito dias depois das conversas.

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Sem explicar os repasses para as contas do ex-diretor da Petrobrás, que afirmou em sua delação premiada que Freiburghaus operava para ele na Suíça o recebimento de propinas de empreiteiras, tendo recebido US$ 23 milhões da Odebrecht no país europeu, a defesa de Freiburghaus contesta a relação. Segundo o documento da defesa encaminhado ao juiz da Lava Jato, Rogério Araújo mantinha investimentos em fundos distribuídos pela Diagonal Investimentos, empresa de Freiburghaus.

“Nada mais razoável, lógico e natural, que o requerente (Bernardo Freiburghaus) mantivesse contato frequente com seus clientes, analisando riscos, divulgando novos produtos, oportunizando aumentos de carteiras. Essa era exatamente a sua função na condição de agente autônomo de investimento”, diz a defesa.

“Daí porque não é lícito pinçarem-se algumas ligações telefônicas, dentre mais de uma centena, ligações essas cujo conteúdo o MPF desconhece, para afirmar que o requerente sabia que transferências seriam feitas em prol do Sr. Paulo Roberto (Costa), muito menos que adviessem da empresa Odebrecht”, segue o documento.

Ao final, a defesa de Freiburghaus solicita ao magistrado o acesso a todos os documentos da investigação contra ele no âmbito da Lava Jato.

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