Não somos servidos, servimos

Não somos servidos, servimos

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio*

18 de julho de 2021 | 08h15

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Amor e integridade são valores praticados pela maioria absoluta de nós, brasileiros. A dificuldade em encontrar representantes legislativos e executivos que exerçam o poder que emanamos e que pratiquem esses valores que nos são caros vem causando dor e sofrimento para todos nós, sobretudo para aqueles que dispõe de menos recursos educacionais e materiais.

Instituímos um Estado democrático para assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.

Tendo consciência do nível de pobreza e de marginalização, das desigualdades sociais e regionais do nosso país, a quantidade de representantes legislativos e executivos que cometem crimes, que integram organizações criminosas, lesando, direta e indiretamente, os nossos direitos sociais, os tributos que pagamos, evidencia o alto nível de imoralidade e revela a causa problema.

O vírus da imoralidade se instala no espírito, no cérebro de parte dos nossos representantes, que empregam o poder que outorgamos a eles em benefício próprio. Onde houver dinheiro público para ser roubado, pelas diferentes modalidades criminosas, lá estão parte de nossos representantes, prontos para obedecerem, fielmente, o primeiro mandamento da imoralidade pública.

Roubar, deixar roubar e não por na cadeia quem roube. Esse é o primeiro mandamento da imoralidade pública. A imoralidade continua se tornando, cada vez mais, o cerne da República. As tentativas de reação da República para aumentar o nível de moralidade pública, vem sendo frustradas. A integridade do Poder Judiciário é fundamental para que essa reação seja eficiente.

A causa da imoralidade pública, praticada por parte de nossos representantes legislativos e executivos, é a deformação consciencial, a degradação moral. O amor ao dinheiro e a incapacidade de compreender e praticar o ato de servir. Intuitivo que a reforma das reformas é a consciencial, a moral. Por melhor que seja o texto constitucional e infraconstitucional, indivíduos a materializam.

Se medirmos quanto nos aproximamos do alcance dos objetivos constitucionais que definimos em 1988, para ficar somente em dois – a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e erradicar a pobreza e a marginalização, veremos que avançamos pouco. A incapacidade de parte de nossos representantes nos representar em alto nível moral é a principal causa.

Servimos como eleitores ao votarmos. Servimos como contribuintes ao pagarmos tributos. Servimos como vítimas ao sermos roubados e ao sermos lesados em nossos direitos sociais. Podemos servir também como vítimas ao golpearem nossos direitos políticos. A não ser que nossos servidores no TSE cumpram a Constituição e as leis e cassem a chapa presidencial eleita em 2018.

*Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio, advogado

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