Não sejamos genocidas

Não sejamos genocidas

Marcelo Martins Piton*

24 de fevereiro de 2021 | 07h00

FOTO: UNSPLASH

Enigma. Esse era o nome da máquina utilizada pelo Partido Nazista, durante a II Guerra Mundial, a mais grave das guerras, para codificar e transmitir as principais estratégias militares da Alemanha Nazista. A Inglaterra, para tentar decifrar os códigos, instituiu o Projeto Hut 8, liderado por Alan Turing – o pai da comutação. Após anos de trabalho, em 1940 foi criada, com êxito, a Bombe. Estima-se que ela encurtou a guerra em 02 anos e poupou a vida de 14 milhões de pessoas.

Hoje, vivemos a mais grave pandemia da história.

Superando todas as expectativas, conseguiu-se a produção de diversas vacinas em tempo recorde. O vírus foi descodificado e milhares de vidas podem começar a ser salvas.

Assim, se a Inglaterra, na pior de todas as guerras, possuía a Hut 8, nós, na pior de todas as pandemias, possuímos as vacinas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as campanhas de vacinação evitam pelo menos 04 mortes por minuto, em todo o mundo. Além disso, geram uma economia de R$ 250 milhões por dia. Atualmente, as vacinas já evitam de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Ainda de acordo com a OMS, poderiam salvar mais 1,5 milhão de vidas caso as campanhas fossem ampliadas.

Contudo, enquanto o Brasil precisa de vacinas para poder executar o plano nacional de imunização, o Governo Federal está preocupado em negar a sua eficácia unicamente por razões políticas. Entre a vida de milhares de brasileiros e a perpetuação no poder, esta parece ser o objetivo: até 13.02.2021 o Brasil vacinou apenas 2,40% da população, enquanto o Reino Unido vacinou 22% e Israel 34,74%.

Mas em que pese a atuação do Governo Federal, nós, Brasileiros, não podemos ser negacionistas.

Chegamos, agora, no pior nível da pandemia: pessoas estão morrendo por falta de oxigênio ou na fila de espera por UTIs. Isso não pode ser tolerado ou tido como “uma fatalidade”: nada mais é do que falta de empatia e demonstração clara de desprezo pela vida alheia.

Devemos, portanto, incentivar nossos familiares, principalmente os idosos, a se vacinarem. Devemos combater as Fake News. Devemos, por fim, nos unirmos com a ciência para vencer a pandemia, pois é o único caminho possível.

Do contrário, seremos lembrados como genocidas.

*Marcelo Martins Piton, defensor público do Estado do Rio Grande do Sul, subdirigente do Núcleo de Defesa Cível e mestrando em Direito

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