‘Não se pode deixar a pessoa fugir e ainda ficar com o dinheiro lá fora’

Magistrado afirmou ver situações em que vê certa audácia de políticos que foram 'surpreendidos em esquemas criminais' e continuam audaciosos em relação às investigações

Da Redação

24 de outubro de 2017 | 11h30

Sérgio Moro. Foto: Julia Affonso/Estadão

O juiz federal Sérgio Moro defendeu, nesta terça-feira, 24, o instituto da delação premiada e afirmou que, se forem analisadas todas as medidas cautelares da Lava Jato, ‘vão encontrar justificativas’. O magistrado integrou debate no Fórum Mãos Limpas & Lava Jato, promovido pelo Estadão e pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).

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‘Não se pode deixar a pessoa fugir e ainda ficar com o dinheiro lá fora’

Moro afirmou ver situações em que vê certa audácia de políticos que foram ‘surpreendidos em esquemas criminais’ e continuam audaciosos em relação às investigações. ‘Não se pode deixar a pessoa fugir e ainda ficar com o dinheiro lá fora’.

Existem aqueles que se sentem mais confortáveis, quando não são punidos, para cometer ainda mais crimes. Infelizente, são vários casos”, observa.

“Nenhuma prisão preventiva na Lava Jato excedeu um ano, isso posso dizer com certeza. Se formos aplicar o critério de excesso de prazo de prisão preventiva, abriríamos as portas das cadeias para vários criminosos – assassinos, traficantes, etc. Espero que o Supremo analise com cuidado a questão”, avalia Moro.

O Magistrado evocou, por exemplo, o caso do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, hoje delator da Operação Lava Jato, que desapareceu com provas em meio às buscas e apreensões em seus endereços.

“Sobre crimes anteriores, infelizmente vemos as mesmas pessoas repetindo crimes. Vou me abster aqui de fazer referência”, diz

O magistrado ainda reconheceu que o instituto da prisão preventiva, utilizado de forma recorrente na Lava Jato, é ‘polêmico’ e que é necessário ‘ouvir críticas a respeito.

“A legislação prevê esses recursos mais drásticos para interromper essas carreiras criminosas”.

 

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