‘Não se pode confundir investigação com condenação’, diz Janot

Procurador-geral da República afirma que condução do processo da Lava Jato será 'serena, equilibrada e eficaz'

Redação

10 de março de 2015 | 20h37

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O procurador-geral da República e presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, Rodrigo Janot, disse nesta terça-feira, 10, que a condução do processo da Operação Lava Jato será serena, equilibrada e eficaz. Ele reiterou a transparência e o diálogo. Segundo ele, o processo será longo e não se pode confundir investigação com condenação.

“Acredito piamente que com diálogo se constrói”, disse Janot.

Rodrigo Janot. Foto: Ed Ferreira Estadão

Rodrigo Janot. Foto: Ed Ferreira Estadão

As revelações do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação Lava Jato, e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa motivaram abertura de 25 inquéritos para investigar 22 deputados e 12 senadores, por ordem do Supremo Tribunal Federal. Segundo os delatores, os parlamentares receberam propinas do esquema de corrupção que assolou a estatal. Ex-parlamentares também são alvos da grande investigação decretada pelo ministro Teori Zavascki, que acolheu representação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O procurador afirmou que, ao apresentar na semana passada pedidos de abertura de inquérito e de arquivamentos na investigação, pediu o levantamento do sigilo do caso. Para ele, a divulgação das ações em um caso dessa dimensão é essencial, para que o “Ministério Público tenha sua coerência comprovada e testada”, disse.

Rodrigo Janot também destacou, na declaração que abriu a sessão do CNMP e que era necessária para afastar “ruídos de comunicação nas decisões e atitudes”, que sua gestão sempre foi pautada pelo diálogo institucional com os poderes constituídos e com os membros do Ministério Público. Segundo ele, isso não quer dizer que o diálogo irá contaminar suas decisões.

“Se as portas do meu gabinete estão – como sempre estiveram – abertas para o diálogo com quem quer que seja, ressalto que a porta da minha consciência somente se abre para a Constituição e para as leis que jurei respeitar e fazer cumprir”, destacou.

“Mais uma vez, reafirmo meu compromisso e meu dever com o Ministério Público, com a sociedade brasileira e com o meu país. E, nesse sentido, trabalharei até o final da minha tarefa”, afirmou.

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