‘Não quebre a quarentena por um dos pronunciamentos mais desonestos da história’, diz presidente da OAB após fala de Bolsonaro

‘Não quebre a quarentena por um dos pronunciamentos mais desonestos da história’, diz presidente da OAB após fala de Bolsonaro

Felipe Santa Cruz se manifestou em seu perfil no Twitter na noite desta terça, 24, afirmando ainda: 'Entre a ignorância e a ciência, não hesite'

Pepita Ortega e Fausto Macedo

25 de março de 2020 | 10h07

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Foto: Nilton Fukuda / Estadão

Após pronunciamento em que o presidente Jair Bolsonaro, em rede nacional, voltou a falar em histeria em torno da pandemia da Covid-19 – que deixa mais de 16,3 mil mortos no mundo -, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz reforçou a orientação sobre o isolamento social para conter o novo coronavírus e criticou a atitude do presidente. “Entre a ignorância e a ciência, não hesite. Não quebre a quarentena por conta deste que será reconhecido como um dos pronunciamentos políticos mais desonestos da história”, afirmou o chefe da maior entidade da advocacia no País em seu perfil no Twitter na noite desta terça, 24.

O Brasil conta com 48 mortes e 2.201 casos confirmados em todas as unidades federativas. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o aumento do número de casos confirmados da Covi-19 foi de 16,4% entre esta segunda, 23 e terça, 24.

Em meio a esse cenário, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em que defendeu o fim do ‘confinamento em massa’, afirmou que a imprensa ‘espalha a sensação de pavor’ e disse que não há motivo para fechar escolas, uma vez que o grupo de risco é composto por, também, pessoas com mais de 60 anos. “São raros os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos”, disse.

O pronunciamento de Bolsonaro foi preparado no gabinete do presidente com a participação de poucas pessoas e em segredo. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) participou da elaboração do texto e também estavam presentes, segundo o Estado apurou, integrantes do ‘gabinete do ódio’, onde atuam assessores responsáveis pelas redes sociais pessoais do presidente e ligados a Carlos.

O discurso gerou diferentes críticas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que a fala de Bolsonaro foi grave e cobrou uma liderança ‘séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população’. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou ‘equivocado’ o pronunciamento e criticou o fato de Bolsonaro usar a estrutura de transmissão para distribuir ataques.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes também se pronunciou após a fala de Bolsonaro e voltou a pedir que os brasileiros fiquem em casa. “As agruras da crise, por mais árduas que sejam, não sustentam o luxo da insensatez”, afirmou o ministro.

Assim como nas redes sociais de diferentes políticos e autoridades do País, o coronavírus têm sido tema recorrente no perfil de Felipe Santa Cruz no Twitter. Nos últimos dias, o presidente da OAB compartilhou textos sobre as atividades da entidade diante da crise da Covid-19 e também se pronunciou sobre as medidas provisórias do presidente – a que restringiu Lei de Acesso à Informação e a que autorizou a suspensão de contratos de trabalho por quatro meses. Com relação à esta última, o dispositivo já foi suspenso.

 

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