Não precisamos do autoritarismo nem da esquerda nem da direita

Não precisamos do autoritarismo nem da esquerda nem da direita

Professora Dayane Pimentel*

21 de abril de 2020 | 05h15

Professora Dayane Pimentel. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando a direita venceu as eleições em 2018, imaginei que, nos quatro anos seguintes, dedicaríamo-nos a demonstrar os resultados positivos de apostar em uma economia aberta, em realmente representar os valores conservadores que são a base de nossa nação. Mas, nos últimos dias, principalmente neste domingo (19), vimos cenas lamentáveis de violência realizadas justamente por quem passou anos dizendo que iria combater a corrupção, a desonestidade e a truculência dos militantes de esquerda.

Tenho anos de luta contra o autoritarismo comunista e farei a mesma oposição ao autoritarismo de uma (pseudo)direita que pôs as mangas de fora e não demonstra qualquer compromisso com a democracia e suas instituições. A direita que venceu as eleições não está disposta a seguir seitas, mas a defender a família e as instituições, sobretudo as religiosas. Queremos reforçar a cultura do respeito, a ideia de segurança com rigor, o combate à corrupção, a política séria, responsável e que gere resultados.

É fundamental vermos o resultado das políticas e ideias de direita. Não é cabível que ainda tragamos para os nossos dias os embates que são próprios do momento eleitoral, quando são normais os acirramentos, os confrontos. Assistir às lamentáveis cenas de bolsonaristas agredindo opositores nas ruas é uma demonstração de que, infelizmente, somente mudando o sinal da insensatez. Se repudiamos militantes do PT, de partidos e sindicatos associados a eles, não vamos apoiar a violência cometida por quem diz ser de direita.

Temos nesse governo expoentes que devem ser respeitados e que terminam por ser o lastro de autoridade, seriedade e responsabilidade que a nação espera: os princípios liberais representados pelo ministro da Economia Paulo Guedes e o combate à corrupção e o zelo pela moralidade pública na figura do ministro Sérgio Moro (Justiça).

Nessa crise de coronavírus, segui a orientação governista e votei contra o Plano Mansueto, mas não concordo com a postura do presidente de jogar para a plateia ao mesmo tempo que aciona o “toma lá, dá cá”. Ou tem coragem para enfrentar a realidade de quem precisa construir governabilidade mas destruiu a própria base ou segue na prática aquilo que o discurso traz: não fazer alianças políticas com ninguém. Fazer alianças republicanas não é errado. Errado é mentir, fingir que não faz alianças na busca para agradar um público que não entende que sozinho não se constrói nada.

Eu sou conservadora na criação do meu filho (pois é de casa que deve partir o exemplo), eu sou liberal na economia porque penso que o Brasil precisa abrir mercado, incentivar empreendedores e gerar mais empregos. Eu, por óbvio, não sou perfeita, mas tenho a ficha limpa e entendo que deve haver respeito e serenidade para atravessarmos esse período tão difícil de pandemia. O autoritarismo, de esquerda ou de direita, somente tornará o horizonte mais sombrio.

*Professora Dayane Pimentel, deputada federal e presidente do PSL na Bahia

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