Não me perturbe, me entenda!

Não me perturbe, me entenda!

Foi preciso ter a intervenção da ANATEL e criar mais uma regulamentação para que as empresas simplesmente respeitem o consumidor

Alexandre Azzoni*

07 de novembro de 2019 | 05h00

Telemarketing

FOTO: JF DIORIO/ESTADÃO

Imagine incontáveis chamadas, ligações que ao serem atendidas são desligadas, busca por pessoas que repetidamente dizemos não conhecer e mais uma série de inconvenientes. Tudo isso gerou um grito no consumidor: “Não me perturbe!”

Foi preciso ter a intervenção da ANATEL e criar mais uma regulamentação para que as empresas simplesmente respeitem o consumidor, respeitem o seu desejo.

Isso é simplesmente incompreensível numa era na qual as empresas têm cada vez mais informações para entender com quem falam ou querem falar. Incompreensível quando, na verdade, o que você precisa é trazer o cliente para perto, precisa encantá-lo para que ele venha e permaneça nesta jornada contigo.

Atuo numa área que muitas vezes é vista como a vilã deste relacionamento: a tecnologia. Mas a verdade é que esta é uma culpa que não nos pertence. Pelo contrário. Cada discador, cada bot, cada solução pode sim ser desenvolvida sempre em prol deste relacionamento empresa-cliente.

Cada tecnologia sai de ‘fábrica’ programada para limitar o número de chamadas por dia, restringir as chamadas que caem ao serem atendidas, usam bots que entram em ação apenas nas situações que realmente são uteis. Mas o problema está na configuração manual que é feita após entregarmos essas soluções às centrais que realizam estas operações e é isso que me deixa mais ‘P da vida’.

As empresas precisam focar no cliente, entendê-lo e criar uma jornada de aproximação, não de perturbação. Não imagino hoje uma empresa se sustentando sem trilhar esse caminho. Por fim, o que o cliente quer é simples: “Não me perturbe, me entenda!”.

*Alexandre Azzoni é CSO da Callflex

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.