‘Não houve excesso’, diz comandante da PM sobre ação policial no protesto contra Temer

‘Não houve excesso’, diz comandante da PM sobre ação policial no protesto contra Temer

'No incidente que houve ontem, sem feridos, quantas vidas foram salvas?', disse o coronel Demétrius Fyskatoris

Valmar Hupsel Filho

05 de setembro de 2016 | 18h20

Supporters of Brazil's sacked ex-president Dilma Rousseff demonstrate after she was stripped of the country's presidency by a Senate impeachment vote, along Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil, on September 4, 2016. The 68-year-old leftist leader must leave the Alvorada official residence in Brasilia within a month after senators voted on August 31 to fire her over charges she illegally manipulated the national budget. Rousseff said she will continue the fight against her successor Michel Temer from her adopted hometown, Porto Alegre. / AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL

Manifestantes fazem fogueira em ato pelo ‘Fora, Temer’. Foto: AFP PHOTO

O comandante e policiamento de capital, Demétrius Fyskatoris, disse nesta segunda-feira, 5, que a Policia Militar seguiu o protocolo interno, não cometeu excesso e salvou vidas no protesto contra o governo de Michel Temer que aconteceu neste domingo no trajeto entre a avenida Paulista e o Largo da Batata. “Não reconheço excesso. A Polícia Militar seguiu o protocolo”, disse.

Em entrevista coletiva convocada para dar resposta às acusações de uso excessivo e injustificável de força, o comandante responsável pelo policiamento do ato culpou os manifestantes pelo incidente que ocorreu após o fim do protesto na estação Faria Lima.

Na ocasião, a multidão foi dispersada em meio a bombas de gás lacrimogênio arremessadas pela Polícia.Entre os atingidos pelo gás estavam o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado Paulo Teixeria (PT-SP) e o ex-ministro Roberto Amaral. Os parlamentares disseram hoje que vão denunciar junto à OEA o que consideram a ação truculenta da Polícia Militar de São Paulo no protesto.

Na visão de Fyskatoris, a PM agiu de forma reativa. “Durante todo o trajeto policiais militares foram recebidos com xingamentos e arremessos de latas, garrafas e pedaços de paus”, afirmou.

Sobre a denúncia que os parlamentares pretendem fazer contra a PM junto à OEA, major Emerson Macedo, chefe da comunicação social da PM-SP, disse que não há necessidade porque a ação policial estava de acordo com princípios internacionais de direitos humanos. “A policia Militar está alinhada a todos os princípios internacionais, inclusive o de direitos humanos. Não podemos confundir o discurso retórico com algo efetivamente prático. Respeitamos a opinião do senador e deputado mas entendemos que não há essa necessidade porque estamos alinhados com todos os princípios de Direitos Humanos”, disse.

De acordo com o balanço divulgado pela PM, 27 pessoas foram presas e não houve feridos. Não constam no registro as pessoas que foram agredidas por PMs, como o repórter da BBC Brasil, Felipe Souza. Ele registrou a agressão de policias mesmo depois de se identificar como jornalista. “No incidente que houve ontem, sem feridos, quantas vidas foram salvas?”, disse o coronel.

Presos. Segundo ele, os 27 presos foram abordados na rua vergueiro, antes do protesto, porque estavam “em atitude suspeita”. Entre os detidos havia adolescentes que portavam equipamentos de proteção, como máscaras e óculos. “Eles serão indiciados por associação criminosa e corrupção de menores”.

Questionado sobre a diferença de atuacao da polícia em protestos pró e contra o impeachment, o coronel disse que a policia não tem partido. Apesar de a PM não ter divulgado, no domingo, a estimativa de público da manifestação, o comandante afirmou que a operação trabalhou com a estimativa de 30 mil pessoas na Paulista.
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