PF redobra vigilância em Cumbica contra tráfico e lavagem

PF redobra vigilância em Cumbica contra tráfico e lavagem

Parceria com 12 países busca novas técnicas para combater organizações criminosas

Fausto Macedo

30 de outubro de 2014 | 05h00

Fausto Macedo

O delegado Roberto Troncon, superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, declarou nesta quarta feira, 29, que “não haverá limites para a repressão aos crimes transnacionais praticados nos aeroportos brasileiros”. Troncon pregou a união das polícias de todos os países para conter, principalmente, o tráfico de drogas, a evasão de divisas e a lavagem de dinheiro. “No mundo atual deve haver parceria entre as forças policiais dos diversos países, para combatermos com maior eficácia essa criminalidade.”

O chefe regional da PF abriu no Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos/Cumbica o Programa de Cooperação Internacional em Aeroportos (Intercops), projeto permanente de intercâmbio de experiências e metodologias de trabalho entre policiais de vários países mobilizados na repressão ao crime que atravessa fronteiras.

Roberto Troncon, superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo - Foto: Evelson de Freitas/Estadão - 23.11.2012

Roberto Troncon, superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo – Foto: Evelson de Freitas/Estadão – 23.11.2012

Nesta primeira etapa do Intercops participam policiais de 12 países (África do Sul, Alemanha, Angola, Austrália, Catar, França, Guiana, Marrocos, Namíbia, Nigéria, Paraguai e Reino Unido). São policiais experientes em aeroportos internacionais na repressão ao crime organizado transnacional.

Cumbica é o aeroporto em que a PF atua em larga escala contra o tráfico de drogas ilícitas. Maior aeroporto do hemisfério sul em volume de passageiros – em 2013, entre voos domésticos e internacionais, movimentou quase 36 milhões de passageiros – Cumbica detém o recorde de apreensões de drogas.

“O tráfico tem sido um dos crimes de maior incidência nesse aeroporto”, observou Roberto Troncon. A maior parte dos flagrantes ocorre quando passageiros estão embarcando para o exterior. “Temos baixa incidência de cocaína ingressando no Brasil por meio do aeroporto. Até porque o Brasil tem uma enorme fronteira com a região produtora dessa droga e ela acaba ingressando por outros meios no território nacional.”

A média anual de apreensões em Cumbica bate em 1,4 tonelada. A delegacia da PF no aeroporto internacional é dirigida pelo delegado Wagner Castilho.

O delegado Rogério Galloro, número 2 na hierarquia da Polícia Federal como chefe da diretoria executiva da corporação, disse que o projeto de parcerias das polícias vai funcionar de forma permanente. “O Intercops é um seminário que consiste em capacitação e operações conjuntas. Um trabalho operacional conjunto que basicamente promove a troca de experiências.”

Galloro destaca que os policiais dos países mobilizados nessa etapa do Intercops “vão conhecer a forma de trabalho do Brasil, vão fazer críticas a sugestões e, ao mesmo tempo, vão aprender como a Polícia Federal brasileira executa esse serviço”.

Ele ressalta que o projeto não vai ficar restrito ao tráfico de drogas. “Vai atuar também com vistas à evasão de divisas e à lavagem de dinheiro. A parceria não vai ficar restrita a nenhum crime, especificamente. Todos aqueles (crimes) que são da atribuição da Polícia Federal e da polícia brasileira como um todo estarão sujeitos à repressão. Eu não tenho dúvida que esse projeto Intercops será bem sucedido.”

Tudo o que sabemos sobre:

CumbicaPolícia FederalRoberto Troncom