Não há tempo a perder

Paulo Yoshimura*

01 de novembro de 2021 | 04h30

Estamos em um momento crucial da nossa história, em que não existe mais “deixar para depois” as preocupações com o meio ambiente. Neste ano, chegamos ao “Dia de Sobrecarga da Terra” no final de julho, o que significa que tudo que usamos desde então em termos de recursos naturais é em excesso e não tem mais volta. Por isso, discussões como as de ESG e alinhamentos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU são fundamentais. É clara a popularização dessas agendas nos últimos anos e isso não poderia ser melhor para todos: empresas, pessoas e planeta.

É preciso aproveitar a urgência e começar a traçar não apenas planos, mas sim agir frente aos problemas que enfrentamos atualmente em termos sociais e ambientais. De ações proprietárias a parcerias estratégicas com organizações e movimentos, são muitos os caminhos possíveis, o que garante uma capilaridade de ação, abrangência de solução e melhoria contínua.

Quando analiso o setor automotivo, minha área de atuação e experiência, consigo entender bem esse trabalho em rede. Imaginem só: para que um único veículo seja produzido, ele passa por uma grande cadeia de valor desde fornecedores de insumos, fabricante de peças, logística e revenda. Enfim, uma amplitude de processos e empresas que, assim como as montadoras, também devem contribuir para limpar a cadeia e permitir uma indústria em harmonia com a natureza. Porém, de nada adianta um único ponto verde nessa cadeia, é preciso um trabalho conjunto, unindo forças para solucionar problemas coletivos. Só assim seremos capazes de fazer mais, de forma mais abrangente, simultânea e sustentável.

A atual discussão na indústria automotiva mundial passa pelo caminho da eletrificação, modalidade que permite uma utilização mais limpa dos veículos, facilitando o objetivo do carbono neutro. Só nos EUA, o transporte corresponde a 29% das emissões de CO2; no Brasil, 13%, sendo que destes, 91% são provenientes do transporte rodoviário, de acordo com levantamento da ANFAVEA e Boston Consulting Group, BCG. Uma participação grande que exige soluções criativas e, principalmente, alinhadas às realidades dos mais variados mercados. Afinal, não podemos reproduzir no Brasil, por exemplo, medidas implementadas na Europa, já que a demanda, fornecimento, infraestrutura e própria organização política e social são diferentes. Podemos, e devemos, nos inspirar, mas sempre trabalhando para que as soluções sejam as melhores para o Brasil.

Dirigir nessa estrada rumo à neutralidade de carbono exige pensarmos em novas tecnologias de motorização, mas não só. Precisamos nos comprometer com metas ousadas de carbono neutro começando pelas fábricas. Com trabalho em conjunto, busca por melhoria, inovação e fomento à criatividade, conseguiremos avançar nessa importante agenda com a urgência que o planeta nos demanda.

*Paulo Yoshimura, membro do board of directors da Toyota do Brasil

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