‘Não há ninguém imune à investigação, seja em Curitiba, seja em Brasília’, diz procurador

Carlos Fernando Lima afirmou que o governo do ex-presidente 'foi um dos grandes beneficiários pela compra' de apoio político-partidário implantado na Petrobrás; Operação Aletheia não tem presidente Dilma Rousseff como alvo, por questão de foro

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

04 de março de 2016 | 12h22

Da esq. para a dir, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o superintendente Rosalvo Ferreira Franco, o delegado Igor Romário de Paula e o auditor Roberto Leonel de Oliveira Lima / Foto: EFE/Pedro Filho

Da esq. para a dir, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o superintendente Rosalvo Ferreira Franco, o delegado Igor Romário de Paula e o auditor Roberto Leonel de Oliveira Lima / Foto: EFE/Pedro Filho

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é suspeito de ser o principal responsável pelo esquema de carte e corrupção na Petrobrás, comandado por partidos da base aliada e que beneficiou também a oposição. Segundo ele, o esquema beneficiou o “chefe do governo”.

“Ninguém está imune à investigação, seja aqui em Curitiba, seja em Brasília.”

“Estamos apurando essa hipótese (de Lula ser o líder). Certamente o governo dele foi um dos grandes beneficiários pela compra desse apoio político-partidário. Investigamos se houve alguma vantagem ao senhor Luiz Inácio”, afirmou o procurador, durante entrevista na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

O procurador afirmou que a Lava Jato em Curitiba não investiga a presidente Dilma Rousseff, por uma questão de competência – a presidente só pode ser investigada pela Procuradoria Geral da República em processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o chefe do Executivo é sempre o principal beneficiado em um esquema de compra de apoio político-partidário.

“Já dito pelo procurador geral da República e por nós aqui da Lava Jato, este esquema Petrobrás e de outras empresas é um esquema de compra de apoio político-partidário. É somente nesse sentido que há a vinculação de um benefício”, explicou Lima. “O beneficiário sempre será o atual chefe do governo. Só nesse aspecto que existe o nome da presidente. Não há nenhum dado ou indício dela investigado na Operação Lava Jato, aqui em Curitiba.”

 

Partidos. Questionado sobre eventual apuração envolvendo outros governos, Lima explicou que a apuração está focada no esquema sistematizado montado na Petrobrás, descoberto a partir da ligação do doleiro Alberto Youssef com o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa – primeiro delator do processo.

“Há muita confusão a esse respeito. As investigações da Lava Jato em Curitiba se iniciaram em decorrência da prisão de quatro doleiros e nessas investigações é que chegamos ao nome de Paulo Roberto Costa. Todas as investigações decorrem dessa descoberta.”

Lima afirmou que a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba tem limitações legais. “Nós não somos procuradores de todo o Brasil, de todos os fatos. Há muitos outros procuradores e há muitas outras equipes da Polícia Federal e investigações autônomas. Não me cabe aqui iniciar qualquer investigação que tenha o objeto inicial ou derivado daquele encontro de pagamento feito ao Paulo Roberto Costa na Petrobrás.”

“Não cabe fazer uma analise se eu deva invetigtar partido A ou partido B. Mas todos os partidos são investigados em decorrência da fraude na Petrobrás.”

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