‘Não há nenhuma prova contra o ex-presidente’, afirma juiz da Lava Jato sobre Lula

‘Não há nenhuma prova contra o ex-presidente’, afirma juiz da Lava Jato sobre Lula

No decreto de prisão do pecuarista José Carlos Bumlai, juiz Sérgio Moro destaca 'uso indevido' do nome de petista em negócio com Banco Schahin

Mateus Coutinho, Julia Affonso, Andreza Matais e Julio Cesar Lima

24 Novembro 2015 | 12h24

Lula cumpre agenda na Itália: petista visitou o pavilhão brasileiro da Expo Milão 2015, onde discursou ontem durante o encerramento do Fórum de Ministros da Agricultura. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Na decisão que mandou prender o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e suspeito de intermediar propinas envolvendo contrato do navio- sonda Vitória 10.000 da Petrobrás, o juiz Sérgio Moro ressaltou que não há nenhuma prova contra o ex-presidente petista no empréstimo de R$ 12 milhões do banco Schahin ao pecuarista que, segundo os investigadores e com base em delações dos próprios executivos do banco, teria sido para repassar dinheiro ao PT.

“Não há nenhuma prova de que o ex-Presidente da República estivesse de fato envolvido nesses ilícitos, mas o comportamento recorrente do investigado José Carlos Bumlai levanta o natural receio de que o mesmo nome seja de alguma maneira, mas indevidamente, invocado para obstruir ou para interferir na investigação ou na instrução”, aponta o magistrado na decisão.

Moro ainda faz referência as delações premiadas do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, na qual ele cita que o pecuarista teria utilizado várias vezes o nome do ex-presidente para intermediar em negócios. De acordo com o juiz, Bumlai “teria se servido, por mais de uma vez e de maneira indevida, do nome e autoridade do ex-presidente da República para obter benefícios”.

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Além do magistrado, o procurador da República, Carlos Fernando dos Santos, disse, em entrevista na sede da PF, em Curitiba, que não é possível calcular o envolvimento de Lula nas operações financeiras. “Havia o uso do nome do ex-presidente, mas até o momento, em nossos levantamentos não houve alguma intercessão, apenas ouvimos nos depoimentos que as ordens vinham de cima”, comentou.

‘Episódios criminosos’. Ao mesmo tempo em que aponta a falta de provas do envolvimento do ex-presidente, o juiz da Lava Jato destaca o papel decisivo do pecuarista em ‘episódios criminosos’ envolvendo o PT.

“João Carlos Bumlai se insere totalmente nesse quadro, pois as provas indicam que disponibilizou seu nome e suas empresas para viabilizar de maneira fraudulenta recursos a partido político, com todos os danos decorrentes à democracia, e, posteriormente, envolveu-se na utilização de contrato público de empresa estatal para obter vantagem indevida para si e para outrem.”

Juiz federal Sérgio Moro, que conduz processos da Lava Jato. Foto: Werther Santana/Estadão

Juiz federal Sérgio Moro, que conduz processos da Lava Jato. Foto: Werther Santana/Estadão

Moro, alertado pelo Ministério Público Federal, jogou luz sobre uma outra investigação que cita o nome de Bumlai, o emblemático caso Sanasa – escândalo de corrupção na empresa de saneamento da cidade de Campinas, interior de São Paulo.

“Além disso, presentes elementos probatórios que indicam o envolvimento dele em outros episódios criminosos ou em condutas suspeitas de lavagem de dinheiro, como pagamentos a operador de propina e de lavagem de dinheiro da Petrobrás, saques sucessivos vultosos em espécie de suas contas bancárias e que se estendem a 2014, expediente não raramente utilizado para evitar rastreamento bancário, envolvimento, segundo apontado pelo MPF, em outros casos criminais, como suposto pagamento de propina no Caso Sanasa e suposta venda superfaturada de fazenda ao INCRA para reforma agrária. Tudo isso com o agravante da utilização indevida do nome e da autoridade do ex-Presidente da República, que, mesmo não mais no cargo, ainda é uma das pessoas mais poderosas do País.”

O PT informou que, por enquanto, não vai se pronunciar

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