Não há desmanche da Lava Jato, afirma PF

Não há desmanche da Lava Jato, afirma PF

Direção-Geral da corporação esclarece saída de dois delegados da grande investigação, diz que mudanças são 'opções estratégicas' e rebate 'pressão interna ou externa'

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

04 de julho de 2016 | 12h40

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal afirmou nesta segunda-feira, 4, que a Operação Lava Jato não passa por um processo de ‘desmanche’. Em Curitiba, base da grande investigação, o delegado Igor Romário de Paula, que coordena a Lava Jato no âmbito da PF, leu aos jornalistas – antes de revelar os detalhes da Operação Abismo, 31.ª fase – uma nota subscrita pela Direção-Geral da corporação.

Igor Romário esclareceu os motivos de algumas substituições no elenco de delegados da Lava Jato – saem de cena Eduardo Mauat da Silva e Duílio Mocelin Cardoso.

“É verdade que estamos mudando dois delegados de Polícia Federal da equipe da Lava Jato, assim como não é verídica a informação de que a força-tarefa passa por um desmanche”, assinala o comando da PF, segundo o texto lido por Igor Romário.

“Esclarecemos, ainda, que em momento algum sofremos qualquer tipo de pressão interna ou externa, em substituição deste ou daquele delegado.”

A PF informou que substituiu os delegados Mauat, lotado no Rio Grande do Sul, e Mocelin, lotado em Rondônia, ‘a quem agradecemos pelo trabalho prestado até agora’.

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Para os lugares de Mauat e Mocelin foram escalados os delegados Rodrigo Sanfurgo, que chefiou a Delegacia de Crimes Financeiros da PF em São Paulo, e o delegado Luciano Menin, que já integrou a equipe da Lava Jato.

Também vai compor a equipe o delegado Roberto Biazoli, com experiência em investigações internacionais – ele trabalhou por mais de 5 anos no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, braço do Ministério da Justiça.

A PF comunicou que o delegado Luciano Flores pediu para sair do caso temporariamente. Ele vai atuar na equipe da corporação mobilizada para a segurança na Olimpíada. Flores se notabilizou na Lava Jato ao conduzir coercitivamente, no dia 4 de março, o ex-presidente Lula, alvo da etapa Aletheia.

“Sua (de Luciano Flores) saída é a pedido do próprio servidor e temporária, devendo reintegrar a equipe logo após o término da sua missão junto à coordenação de Grandes Eventos em Brasília, no período dos Jogos Olímpicos de 2016”, afirma a Direção-Geral da PF.

“Essas mudanças são opções estratégicas da coordenação com apoio irrestrito da equipe da investigação, administração regional e Direção-Geral da Polícia Federal, visando oxigenar o grupo, dando a ele um novo fôlego, para que os trabalhos continuem cada vez mais buscar sua superação”, esclareceu o delegado Igor Romário de Paula.

O acervo de inquéritos a cargo do delegado Maut agora volta para as mãos de Márcio Anselmo, um dos principais integrantes da Lava Jato.

Na entrevista coletiva desta segunda, 4, em Curitiba, o delegado Igor disse aos jornalistas. “Para que a sociedade se tranquilize, tenham certeza de que a Operação Lava Jato não sofrerá qualquer prejuízo a seus trabalhos investigativos e operacionais, e também tenham a ideia de nossa preocupação, a carga principal de inquéritos que estava com o delegado Mauat retornou ao seu delegado original, delegado Márcio Anselmo, conhecido por seu inquestionável trabalho na Operação Lava Jato, que dispensa maiores qualificativos.”

A ÍNTEGRA DA NOTA DA PF

Considerando algumas matérias veiculadas recentemente na mídia nacional e o compromisso com a total transparência de todos os procedimentos relacionados à chamada Operação Lava Jato, a Polícia Federal vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Esclarecemos que em momento algum a equipe de investigação sofreu qualquer tipo de pressão interna ou externa pela substituição desse ou daquele delegado.

De fato dois delegados estão deixando a equipe de investigação da Operação Lava Jato, mas não é verídica a informação de que a equipe dessa força tarefa esteja passando por um “desmanche”.

A PF substitui dois delegados que estavam em missão em Curitiba/PR – Eduardo Mauat da Silva (lotado no Estado do Rio Grande do Sul) e Duílio Mocelin Cardoso (lotado no Estado de Rondônia) – a quem agradece pelo trabalho realizado.

As autoridades acima serão substituídas pelos delegados Rodrigo Sanfurgo, ex-chefe da Delegacia de Combate a Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo, Luciano Menin, que já integrou a equipe Lava Jato em um passado recente, e Roberto Biazolli, autoridade com experiência em investigações internacionais, por ter trabalhado no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI). Quanto ao Delegado Luciano Flores de Lima, sua saída ocorreu a pedido do servidor e é temporária, devendo reintegrar a equipe logo após o término de sua missão junto à Coordenação de Grandes Eventos em Brasília, durante o período dos
Jogos Olímpicos 2016.

Essas mudanças são opções estratégicas da coordenação, com apoio irrestrito da equipe de investigação, Administração Regional e Direção Geral da Polícia Federal, visando oxigenar o grupo, dando a ele um novo fôlego, para que os trabalhos continuem buscando cada vez mais sua superação.

Por fim, para que a sociedade se tranqüilize, tenham certeza de que a Operação Lava Jato não sofrerá qualquer prejuízo em seus trabalhos investigativos e operacionais e, também tenham a idéia de nossa preocupação, a carga principal de inquéritos que estava com o delegado Eduardo Mauat da Silva foi entregue ao delegado Márcio Adriano Anselmo, conhecido por seu inquestionável trabalho junto a Lava Jato e originariamente o responsável por essas investigações.

 

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