‘Não fui operadora do sr. Dirceu’, afirma mulher de ex-ministro peruano

Zaida Sisson, citada na Operação Pixuleco que prendeu ex-ministro do governo Lula, nega enfaticamente que tenha recebido pagamentos ilícitos; relatório da PF indica repasses de R$ 364 mil da empresa de petista

Redação

05 de agosto de 2015 | 16h06

Rodolfo Bravo e Zaida Sisson. Foto: Alberto Villanzona/ Archivo El Comercio

Rodolfo Bravo e Zaida Sisson. Foto: Alberto Villanzona/ Archivo El Comercio

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Zaida Sisson de Castro, mulher do ex-ministro da Agricultura do Peru, Rodolfo Beltrán Bravo (governo Alan García), informou nesta quarta-feira, 5, que jamais recebeu pagamentos ilícitos da JD Assessoria e Consultoria, empresa do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) – preso segunda-feira, 3, na Operação Pixuleco, 17.º capítulo da Lava Jato.

A Polícia Federal afirma, em relatório da Pixuleco, que Zaida Sisson foi destinatária de valores remetidos pela JD por meio de 20 transferências bancárias entre 16 de janeiro de 2009 e 16 de novembro de 2011, totalizando R$ 364.398,00. Zaida anota que prestou efetivamente serviços de consultoria para a JD no Peru. Iniciou um trabalho conjunto em 2008, dado seu conhecimento com o mercado peruano. “Apresentei meus serviços para identificar possibilidades para empresas do Brasil no Peru, principalmente na área de infraestrutura’. O vínculo com a empresa do ex-ministro preso terminou em setembro de 2011, destaca.

+ A repercussão do caso no Peru

Zaida é taxativa. “Não é certo como mencionam alguns meios que fui o braço direito ou operadora do sr. Dirceu em Peru. Meu rol foi sempre laboral e de orientação com o devido cumprimento e ética.”

“Rechaço categoricamente haver recebido pelas consultorias neste período comissão ou pagamento com algum proposito ilícito”, ela afirma. “Meus honorários foram em torno de R$ 15 mil durante 35 meses devidamente justificados e declarados ante as autoridades tributárias de ambos países.”

Zaida Sisson também informa que a Polícia Federal não vasculhou seu endereço em São Paulo – a PF pediu e a Justiça Federal autorizou buscas em um apartamento na Rua Amaral Gurgel, região central da cidade.

LEIA A ÍNTEGRA DO COMUNICADO DE ZAIDA SISSON

Ante as informações aparecidas ontem e hoje nos meios do Brasil e Peru sobre uma suposta participação de minha pessoa em atividades relacionadas com a investigação denominada Lava Jato por parte das autoridades judiciais e Ministério Público do Brasil, devo aclarar o seguinte:

1) Minha pessoa, desde o ano de 2001 vem prestando serviços de consultoria a empresas que se estabelecem no Peru e em alguns casos no Brasil.

2) Entre 2001 e 2003 fui designada vocal da Câmera de Comércio e Integração Peru Brasil, entidade que posteriormente segui apoiando Ad Honorem. Este favoreceu grandemente o comércio Bilateral Peru e Brasil.

3) Com relação a consultoria que prestei a JD Consultoria de José Dirceu, no Peru, iniciei contato com a empresa no ano de 2006 e comecei um trabalho em conjunto no ano de 2008. Dado meu conhecimento com o mercado peruano, apresentei meus serviços para identificar possibilidades para empresas do Brasil no Peru, principalmente na área de infraestrutura. Esta consultoria com a JD Consultoria terminou em setembro de 2011.

4) Meu trabalho consistia em apoiar as empresas em sua fase de instalação em um novo País, recomendações locais, legislação, normas legais, laborais, indicação de profissionais competentes, identificação de projetos pela via legal e transparente do setor público, a várias empresas que desejava, estabelecer-se no Peru. Também de acompanhar aos diretivos das empresas as reuniões solicitadas quando estivessem em Lima, assim como o Sr. José Dirceu.

5) Rechaço categoricamente haver recebido pelas consultorias neste período comissão ou pagamento com algum proposito ilícito. Meus honorários foram em torno de 15.000 reais durante 35 meses devidamente justificados e declarados ante as autoridades tributárias de ambos países incluindo viáticos e gastos de viagem entre Peru/Brasil.

6) Não é certo como mencionam alguns meios que fui o braço direito ou operadora do Sr. Dirceu em Peru. Meu rol foi sempre laboral e de orientação com o devido comprimento e ética.

7) Ademais assessorei outras empresas que serão informadas dentro do devido processo as autoridades brasileiras. Cabe mencionar que o percentual das empresas comprometidas com a denominada operação Lava Jato, é mínimo com relação a totalidade das empresas consultadas pela minha pessoa desde 2001. Algumas não passaram de simples consultas e outras se concretaram sempre com o devido contrato e declaração de impostos e sobre tudo justificadas com atividades lícitas e transparentes.

8) Todos meus ingressos estão devidamente justificados por faturas, contratos e recibos declarados de acordo a lei ante os organismos fiscalizadores e tributários de Brasil e Peru.

9) Todas as consultorias no Brasil e Peru se realizaram efetiva e transparentemente sempre seguindo os canais da administração pública de ambos países.

10) O Arquiteto Rodolfo Beltran é meu esposo com quem estou casada formalmente desde o ano 2008. Durante o período de 1989-1990, que foi Ministro de Estado, não tinha nenhum vínculo com ele. No período de 2006 – 2011 o cargo de meu esposo no setor de Agricultura não influenciou em nenhuma decisão relacionada com minhas consultorias. Temos separação de bens e cada um tem seu campo de ação laboral bem definidos.

11) Minha filha Carolina Sisson é sócia da empresa Blitz Trading, mas não participou em nenhum trabalho ou ação realizada comercialmente.

12) Cabe ressaltar que os projetos que participei dentro de minhas consultorias no Brasil não foram concluídos, apesar do trabalho formalmente realizado. No caso da Construtora Galvao e Engevix não participei em nenhum projeto concluído ou em curso a estas empresas.

13) Não é certo que minha casa no Brasil tenha sido vasculhada até o dia de hoje e retirado documentos comprometedores ou provas. O processo neste caso no Brasil se denomina “PEDIDO DE BUSCA E APREENSÃO”. Esta ordem até o momento não foi iniciada e me encontro a espera para colaborar com as autoridades.

14) Atualmente me encontro no Brasil justamente para esclarecer o que as autoridades creiam conveniente, com os quais estou prestando toda colaboração.

15) Muito agradecerei o encerramento das especulações em alguns meios que não sejam baseados em documentos ou declarações reais. Estimo se devem referir sempre a fontes oficiais e esperar o julgamento devido antes de pré-julgar.

Zaida Sisson de Castro.

Tudo o que sabemos sobre:

José Dirceuoperação Lava JatoPeru

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.