Não existe plano B para a Educação

Não existe plano B para a Educação

Carlos Dorlass*

28 de fevereiro de 2021 | 14h00

Carlos Walter Dorlass. FOTO: DIVULGAÇÃO

“Como a medicina, a educação é uma arte. E arte é algo de muito mais complexo e de muito mais completo que uma ciência”.
(Anísio Teixeira)

Enquanto escrevia este artigo, precisei acompanhar o site worldometers.info constantemente, pois os números de vítimas da Covid-19 estão em constante atualização.

E, diante de um fenômeno que ameaça a vida cotidiana, a única resposta que as autoridades sanitárias encontraram, em pleno século XXI foi a mesma dos venezianos na idade média: a quarentena.

Sabemos que inúmeras escolas fecharam em decorrência da pandemia. Imagine nas consequências ocorridas pela ruptura dos vínculos, centenas de crianças ficaram sem aulas, professores entorpecidos, colaboradores sem empregos, milhares de famílias literalmente confusas.

Contudo, o isolamento forçado abriu uma porta de oportunidades para o setor da educação, como mais acesso ao ensino remoto, capacitação tecnológica dos professores e colaboradores, empreendedorismo em projetos educacionais.

Sabemos que as histórias fazem parte da vida do ser humano desde que começaram a se comunicar e a interagir. As primeiras começaram a ser contadas pelos registros existentes nas cavernas, histórias de caça, de amor, da sociedade.

A importância da História está em seu papel de nortear a humanidade no espaço e no tempo, dando-lhe a possibilidade de compreender a própria realidade. Com o passar do tempo, aprendemos que boas perguntas superam as respostas fáceis.

Portanto, vamos explorar o futuro.

Mas, por que explorar o futuro? Explorar “futuros” desata os nós do nosso pensamento e das falsas restrições. Isso nos desafia a indagar se estamos fazendo as perguntas certas.

Para enxergá-lo, precisamos da pluralidade de olhares, pois não há apenas um futuro, mas múltiplos futuros possíveis. Precisamos de educação e informação sobre o futuro do trabalho, sobre as novas revoluções, tanto pela lente tecnológica quanto pela perspectiva humana. Tudo para que tomemos melhores decisões hoje.

Como a nossa caminhada começa no planejamento, é preciso ter em mente que qualquer falha pode comprometer o futuro.

Lembre-se de que ser professor é escrever a história do futuro. E nós, professores, somos os especialistas para a construção dessa trilha e responsáveis para alcançarmos as metas.

A distância entre dois pontos nem sempre é uma linha reta

O interessante é descobrir que, depois que elegemos os dois pontos, nunca vamos ao ponto de chegada diretamente. No fundo, sabemos que nunca teremos as condições ideais para chegar a esse ponto. Existem vários descaminhos, portanto nunca devemos ir obsessivamente a esse ponto; podemos não chegar.

Certamente você deve estar se perguntando como chegar ao ponto B tendo adversidades pelo caminho? Por meio de ziguezague. Depois, suavizamos os desafios do caminho e diminuímos a perda de energia.

Portanto, para que nossos alunos retomem o desejo de aprender, precisamos realizar o diagnóstico claro, conciso, coerente, compreensível e comprometido em, não deixar nenhum aluno para trás.

Como alcançar as metas? Por meio de profissionais qualificados e com a tecnologia a nosso favor. Assim, na fase do planejamento, podemos diminuir inúmeros contratempos.

Durante a construção do planejamento, esqueçam a possibilidade de existir o plano B. A simples consciência de que não há plano B contribui para que estejamos mais atentos e sejamos capazes de aprender ainda mais. Como a ideia é de que não haja o plano B, o planejamento deverá ser à prova de falhas.

Como fazer?

Comece simples, verifique se a proposta está funcionando da maneira que planejou; só depois, faça adições; teste antes de continuar fazendo extensões ao projeto.

Devemos integrar as diferentes áreas do conhecimento usando as metodologias ágeis – Scrum e Kanban.

Não podemos nos esquecer da questão física. Por isso, precisamos acompanhar o desenvolvimento da consciência corporal e de habilidades motoras.

No cognitivo, devemos verificar o desenvolvimento do raciocínio rápido, a capacidade de compreensão e a competência de elaborar estratégias para enfrentar desafios.

No emocional, devemos examinar a competência para lidar com vitórias e derrotas; o fortalecimento da autoestima e do respeito ao outro e às diferenças.

No social, devemos garantir o fortalecimento da sociabilidade, do senso de cooperação e do trabalho em equipe.

“Aprender e treinar, treinar e aprender. Assim é que se fazem as coisas.”, escreveu o escritor norte-americano Richard Bach.

Devemos lembrar que “O que eu estou procurando não está lá fora, está em mim”, segundo a também escritora Hellen Keller.

O otimismo é a fé que conduz à realização. Nada pode ser feito sem esperança e confiança.

Meus caros colegas, teremos muito trabalho. Lembrem-se de que as adversidades não podem estagnar uma sociedade, gerar descontrole ou levar à decadência emocional. Como vimos com Helen Keller, Richard Bach, Maria Teresa de Calcutá, Marcelino Champagnat e tantos outros, as adversidades são oportunidades para desenvolver e descobrir talentos.

Qual será o desafio?

Sabendo que o futuro das crianças não pode ficar comprometido, precisamos pensar como trabalharemos diariamente com elas. Lembre-se de que trabalho é amor tornado visível.

Nada do que realizávamos há cinco anos serve para hoje. Portanto, precisamos rever como trabalhamos e seguir no compromisso de não comprometer o futuro.

Sabemos que, para resolver os problemas complexos, precisamos ter a compreensão da função. Logo, que a experiência traumática e avassaladora vivida por nós possa criar as bases para o florescimento de uma nova escola, mais forte e mais humana.

Em tempos de incertezas, mais que conhecimento, as diretrizes aqui apresentadas são um convite à coragem e à esperança.

*Carlos Dorlass é diretor-geral do Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo (SP)

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