‘Não estive nem no DER nem em qualquer outro lugar’

‘Não estive nem no DER nem em qualquer outro lugar’

Secretário da Casa Civil do Paraná, Guto Silva (PSD), nega ter recebido R$ 100 mil, em 2014, das mãos do ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado Nelson Leal Júnior, delator da Lava Jato

Julia Affonso

15 de fevereiro de 2019 | 05h00

Guto Silva. Foto: Pedro Oliveira/Alep

O secretário da Casa Civil do Paraná, Guto Silva (PSD), negou enfaticamente nesta quinta-feira, 14, ter recebido R$ 100 mil, em 2014, das mãos do ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado Nelson Leal Júnior, delator da Operação Lava Jato. O deputado licenciado da Assembleia Legislativa afirmou que não esteve ‘nem no DER nem em qualquer outro lugar’.

“Essa declaração é inverídica. Não é apresentada uma prova sequer. Apenas palavras ao vento”, afirmou.

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Guto Silva declarou ser ‘a favor de que todo ocupante de cargo público possa ser investigado’. Para o secretário, agentes públicos devem ‘ter os seus atos acompanhados de forma pública e transparente’.

“Mas não tenho nenhum receio ou problema de confrontar essa delação porque é uma declaração mentirosa e caluniosa. Não há nenhum fato que possa, no mínimo, sugerir essa minha conduta. Agradeço essa oportunidade de deixar isso bem claro e a Justiça terá essa certeza também ao final de qualquer apuração”, disse.

Na delação, Nelson Leal Júnior relatou que, em 2014, José Richa Filho, o Pepe Richa, irmão do ex-governador do Estado Beto Richa (PSDB), solicitou R$ 100 mil ao então presidente da Econorte, Helio Ogama – também delator – para ser usado na campanha de Guto Silva. A Lava Jato afirma que Nelson Leal Júnior era o principal responsável pelo esquema fraudulento no DER-PR.

O delator narrou à Lava Jato que, em agosto de 2014, ‘no dia em que Helio Ogama foi realizar a entrega do valor solicitado em espécie, nem José Richa Filho, nem Luiz Claudio estavam no prédio do DER’. Para os investigadores, o delator referiu-se a Luiz Cláudio da Luz, ex-assessor de Pepe Richa.

“Luis Claudio disse ao colaborador que, por conta da ausência dele e de José Richa Filho, o colaborador (Nelson Leal Júnior) deveria receber o montante de R$ 100 mil de Helio Ogama e entrega-lo a Guto Silva, o qual já estava avisado de que deveria buscar o dinheiro na sala do colaborador no DER”, afirmou.

“Conforme previsto por Luis Claudio, Helio Ogama procurou o colaborador em sua sala e entregou ao mesmo o valor de R$ 100 mil; que, em seguida, no mesmo dia, Guto Silva foi até o DER e, na sala do colaborador, recebeu das mãos deste o valor de R$ 100 mil solicitado por José Richa Filho à Econorte.”

COM A PALAVRA, GUTO SILVA

ESTADÃO: Conhece Nelson Leal Júnior?

GUTO SILVA: Conheço.

ESTADÃO: Há quanto tempo?

GUTO SILVA: Desde que ele assumiu seu cargo no DER.

ESTADÃO: São amigos pessoais?

GUTO SILVA: Não. A relação que eu sempre tive com Nelson Leal Júnior foi referente a trabalho. Sempre lutei por obras no Sudoeste do Paraná.

ESTADÃO: Esteve no DER, em 2014, para pegar R$ 100 mil?

GUTO SILVA: Não estive nem no DER nem em qualquer outro lugar.

ESTADÃO: Pegou R$ 100 mil com Nelson Leal Júnior?

GUTO SILVA: Não. Essa declaração é inverídica. Não é apresentada uma prova sequer. Apenas palavras ao vento.

ESTADÃO: Espaço aberto para manifestação.

GUTO SILVA: Sou a favor de que todo ocupante de cargo público possa ser investigado e deve ter os seus atos acompanhados de forma pública e transparente. Mas não tenho nenhum receio ou problema de confrontar essa delação porque é uma declaração mentirosa e caluniosa. Não há nenhum fato que possa, no mínimo, sugerir essa minha conduta. Agradeço essa oportunidade de deixar isso bem claro e a Justiça terá essa certeza também ao final de qualquer apuração.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GABRIEL BERTIN, QUE DEFENDE HELIO OGAMA

“Hélio Ogama já se manifestou sobre este mesmo assunto tanto no acordo de colaboração quanto no interrogatório recentemente realizado.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO BRUNO AUGUSTO VIGO MILANEZ, QUE DEFENDE PEPE RICHA

“A defesa não se manifesta sobre palavra de delator.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LORENZO FINARDI, QUE DEFENDE LUIZ CLÁUDIO LUZ

A reportagem fez contato com a defesa de Luiz Cláudio Luz. O espaço está aberto para manifestação.

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