‘Não é requisito para ser ministro da educação saber sobre dicionário dos travestis ou feminismo’, diz Eduardo Bolsonaro

‘Não é requisito para ser ministro da educação saber sobre dicionário dos travestis ou feminismo’, diz Eduardo Bolsonaro

Comentário do deputado eleito com recorde de votos, filho de Jair Bolsonaro, foi feito após publicação de foto que mostra questão do Enem sobre 'dialeto secreto' usado pela comunidade LGBTI+ e conceito de patrimônio linguístico

Caio Faheina e Renata Cafardo

05 Novembro 2018 | 13h52

Em sua conta oficial do Twitter, o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Eduardo Bolsonaro (PSL) ironizou, nesta segunda-feira, 5, uma questão da prova de Linguagens do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja primeira aplicação ocorreu neste domingo, 4. O deputado federal, eleito com recorde histórico ao somar mais de 1,8 milhão de votos em São Paulo, disse não ser preciso para ser ministro da Educação saber sobre dicionário dos (sic) travestis ou feminismo’.

Junto ao comentário, o deputado anexou foto da questão de número 37 do exame. Nela, o texto traz como exemplo dialeto usado por travestis – estendendo-se à comunidade LGBTI+ – para questionar aos estudantes sobre o motivo que caracteriza a linguagem como “elemento de patrimônio linguístico”.

Na semana passada, circularam informações de que Maria Inês Fini, a atual presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pelo Enem, estaria sendo cotada para o cargo de ministra da Educação no governo Bolsonaro. O comentário do filho do presidente eleito parece agora um recado para a educadora.

Maria Inês foi uma das criadoras no Enem no governo de Fernando Henrique Cardoso e trabalhou no Inep durante todo o governo do PSDB. Depois, foi consultora de currículo na Secretaria Estadual da Educação em São Paulo na gestão de José Serra (PSDB). Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ela voltou ao MEC trazida por Maria Helena Guimarães de Castro, educadora também ligada ao PSDB, que assumiu a secretaria executiva.

O nome de Maria Inês surgiu na semana passada entre outros que estariam sendo analisados pela equipe de Bolsonaro. Ela é ligada a alguns militares e chegou a fazer campanha para o presidente eleito. Mesmo assim, sua ligação com o PSDB e a não identificação com projetos como o Escola sem Partido, enfraquecia a possibilidade de ser chamada para o cargo.

Outros nomes cotados para o MEC foram a do ex-ministro da pasta Mendonça Filho (DEM), do advogado criador do movimento Escola sem Partido, Miguel Nagib, e da deputada Dorinha Rezende (DEM). Além deles, integrantes da equipe atual de Bolsonaro também estão sendo considerados, como o general Aléssio Ribeiro Souto e o ex-funcionário da Fundação Getulio Vargas (FGV) Stavros Xanthopoylos.

Em outra publicação, o parlamentar alerta os estudantes que “sexualidade, feminismo, linguagem travesti, machismo e etc terão pouca ou nenhuma importância”. Em seguida, Eduardo Bolsonaro republica postagem que defende aprovação do projeto Escola sem Partido. Ainda não aprovado no Congresso, o texto é caracterizado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro como forma de combate à “doutrinação ideológica”.

A questão específica virou polêmica nas redes sociais em poucas horas.

Em resposta às críticas, a ativista e deputada federal Talíria Petrone elogiou não só a pergunta que Eduardo Bolsonaro desaprovara, mas o conteúdo do primeiro dia de prova do maior vestibular do País.

“No Enem teve Luther King, Rosa Parks, Orwell, Conceição Evaristo. Teve reflexão sobre feminicídio, assédio, lésbica, travesti, família, racismo, democracia, memória. E mais: a importância da discussão sobre direitos humanos desde a educação básica. A Educação resiste, e muito!”, disse também em sua conta na rede social.

Talíria foi eleita com o 9.º maior número de votos pelo Rio.

COM A PALAVRA, O INEP

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não se posicionará a respeito dos comentários Deputado Eduardo Bolsonaro.

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