Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo, diz Marco Aurélio

Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo, diz Marco Aurélio

Trabalhando de casa, ministro do STF também defendeu o distanciamento social como forma de combater a doença

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

30 de março de 2020 | 19h33

Marco Aurélio Mello. Foto: Andre Dusek / AE

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira (30) ao Estado/Broadcast que ficou “pasmo” com a atitude do presidente Jair Bolsonaro de sair às ruas e cumprimentar populares mesmo diante do avanço da pandemia do novo coronavírus. Trabalhando de casa, Marco Aurélio também defendeu o distanciamento social como forma de combater a doença. A medida vem sendo defendida por governadores de todo o País e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas se tornou alvo de duras críticas de Bolsonaro, que teme o impacto do isolamento sobre a economia.

“Não é possível que todos estejam errados, e só o presidente da República esteja certo. Cada qual procede da forma como deve fazer. Vamos repetir mais uma vez e à exaustão: o exemplo vem de cima. Sempre há tempo para evoluir”, afirmou à reportagem Marco Aurélio. O ministro, de 73 anos, se enquadra na faixa etária mais vulnerável aos efeitos da covid-19.

Marco Aurélio reprovou o tour de Jair Bolsonaro pelas ruas do Distrito Federal no último domingo (29), quando o presidente cumprimentou populares e posou para fotos, formando aglomerações em torno do presidente, o que contraria recomendação do próprio Ministério da Saúde.

“Eu espero a evolução por parte do presidente quanto a encarar a crise como muito grave. E as medidas devem ser um pouco mais profundas. Eu fiquei pasmo quando vi que ele visitou cidades satélites, confraternizou com o povo, é algo que nos deixa tristes. Muito tristes”, criticou o ministro.

Para Marco Aurélio, “sem dúvida” o isolamento social é a melhor forma, neste momento, de frear a propagação da covid-19. “Temos de guardar a quarentena, para não inviabilizar o atendimento médico no campo da saúde, porque se houver um número excessivo de contagiados, a nossa saúde não atenderá a todos. Isso que preocupa”, frisou o ministro.

Nesta segunda-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a população tem que seguir as orientações dos Estados na condução das ações de combate ao coronavírus. A afirmação de Mandetta contraria frontalmente a posição que tem sido defendida por Bolsonaro, que não tem poupado críticas duras aos Estados, por causa de suas quarentenas.

Em meio à controvérsia, Marco Aurélio defendeu um esforço conjunto e um discurso unificado sobre a questão, para garantir segurança jurídica.

“O Brasil é continental, precisamos realmente de uma solidariedade ampla dos entes. A ótica é só uma: viabilizar a saúde, bem maior que está em cheque”, resumiu o ministro.

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