Não deveríamos aguardar para ver

Fátima Bonilha*

17 de maio de 2017 | 07h00

A reforma da Previdência caminha a passos largos e sem qualquer resistência digna dos que deveriam nos representar. A barganha com liberação de verbas para feudos eleitorais está aberta para com isto minimizar os efeitos negativos dos votos dos representantes do povo junto aos seus eleitores.

Ainda o que mais me causa espécie e repúdio a esta reforma que se apresenta é a situação do cônjuge sobrevivente que poderá receber no máximo, somando o próprio benefício e a pensão por morte, dois salários mínimos.

Poderá ainda optar pelo mais vantajoso declinando do outro se a soma ultrapassar os dois salários mínimos.

Não somos um país que cuidamos dos idosos e doentes com um mínimo de dignidade. Temos por hábito não nos preocuparmos com o futuro e acredito que poucos estão atentos ao limite de idade e tempo de contribuição necessária para uma aposentadoria integral, e menos ainda, estão atentos à soma da pensão e benefício próprio.

Teremos uma frente de desamparados, sem auxílio do estado e com parcos ganhos. Mais uma vez os prejudicados e abandonados serão os que lutaram por toda uma vida, acreditando que poderiam ter um pouco de tranquilidade. Não!!! Vais viver na miséria e dependência da ajuda de terceiros. Se tiver terceiros.

Eu sou da opinião que deve ser respeitado o teto limite do INSS para pagamento de pensão + benefício ao cônjuge sobrevivente.

Ou seja, a soma de pensão Mais benefício até o teto limite do INSS.

Ainda que não me pareça o correto, acho que chega perto de um valor digno para se sobreviver no fim da vida, onde os gastos aumentam devido a toda uma dificuldade inerente aos idosos.

No mais, ainda não estou convencida que esta reforma mexerá com as grandes e injustas aposentadorias. Não deveríamos aguardar para ver.

*Fátima Bonilha, advogada do Esposito Gomes & Bonilha Advogados

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