‘Não deve haver nenhuma interferência do governo’, alerta Moro

‘Não deve haver nenhuma interferência do governo’, alerta Moro

Juiz da Operação Lava Jato diz que 'os trabalhos devem ser independentes'

Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

23 de maio de 2016 | 12h42

Brazilian Federal judge Sergio Moro participates in the Economic Forum in Sao Paulo, Brazil, on May 23, 2016. Moro heads the corruption investigation in the state-owned oil company Petrobras, known as Operation Car Wash. / AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

O juiz Sérgio Moro. Foto: AFP

O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, disse nesta segunda-feira, 23, que ‘não deve haver nenhuma interferência do governo’ nas investigações sobre o esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Em São Paulo, onde participou de um evento, Moro disse que ‘não está muito a par desse caso’, em referência ao diálogo gravado entre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e o senador Romero Jucá, ministro do Planejamento do governo Michel Temer.

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Na conversa, Jucá sugere que a Lava Jato deve parar de ‘sangrar’, como se tivesse a intenção de barrar a investigação. O diálogo foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo.

“Não estou muito a par desse caso. Por outro lado, não deve haver nenhuma interferência do governo”, disse o juiz Moro, que deflagrou a Lava Jato contra doleiros, empreiteiros e políticos.
O juiz alertou para a autonomia das instituições e mandou um recado. “Os trabalhos devem ser independentes.”

Indagado se a Lava Jato está entrando em declínio, Sérgio Moro respondeu que ela ‘persiste normalmente’.

“A Lava Jato não é um seriado. Existe um trabalho que a parte mais visível dessa operação consiste nessas diligências de busca e apreensão e prisões. Mas existe todo um trabalho de investigação que é feito entre quatro paredes. Existe todo um trabalho de realização de audiências, de julgamento dos casos. Então, esse caso persiste normalmente.”

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