Não deixe que a pandemia acabe com a cultura organizacional da empresa

Não deixe que a pandemia acabe com a cultura organizacional da empresa

Tati Santarelli*

21 de abril de 2021 | 04h00

Tati Santarelli. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia da Covid-19 vem alterando nossos comportamentos desde o seu surgimento. No mundo corporativo não foi diferente: o impacto trouxe a necessidade de mudanças significativas, como o home office, e de sustentar a cultura organizacional neste contexto. A solidificação das crenças que os colaboradores compartilham se tornou mais difícil à medida que o distanciamento social se tornou cada vez mais presente.

Conforme pesquisa realizada pela Lyra Health e pela National Alliance of Healthcare Purchaser Coalitions, 40% dos funcionários estão enfrentando esgotamento durante a pandemia. Um dos aspectos observados é que trabalhar em casa pode dificultar que os líderes detectem problemas psicossociais dos colaboradores de sua empresa. E, segundo a pesquisa Business Group on Health Survey, quase metade dos grandes empregadores nos Estados Unidos capacitam seu corpo gerencial para saber identificar essas questões e outros 18% planejam começar a fazê-lo em 2021.

Entendemos que o conceito “cultura organizacional” é complexo e subjetivo, envolve uma série de aspectos que devem ser considerados para que seja possível caracterizar essa abstração. Diante disso, os indicadores da plataforma que desenvolvemos não propõem uma visão reducionista do conceito, mas sim uma ferramenta eficaz de identificação e elaboração. Ela possibilita um olhar um pouco mais objetivo da cultura a fim de favorecer o alinhamento entre o contexto atual da empresa, os valores emergentes e a cultura que se deseja estabelecer na corporação.

Schein (1990), Cameron e Quinn (1999), são considerados sólidas referências para o estudo da cultura no âmbito das organizações. Estes e outros especialistas da temática ajudam a compor a base teórica sobre a qual a Teamhub desenvolve seu trabalho. Entendemos, portanto, que cultura organizacional é um jeito institucionalizado de pensar e agir. Essas forças, embora abstratas, influenciam e trazem consequências bastante concretas para a vida da equipe, com implicações diretas na produtividade e eficiência da empresa. Por essa razão é tão fundamental compreender a cultura e saber atuar assertivamente sobre ela.

Criar uma cultura estrategicamente forte, bem compartilhada e valorizada, precisa ser uma prática adaptável em tempo real para garantir resultados satisfatórios. A adaptabilidade cultural é fundamental para o momento que as empresas estão enfrentando: inovar e mudar rapidamente nunca foi tão importante.

Mas como manter a cultura organizacional neste cenário de medo, incertezas, insegurança e distanciamento? Como continuar a construir e fortalecer a cultura da empresa, em tempos de home office?

Uma cultura organizacional consolidada, firme e duradoura é capaz de balizar as ações e orientar os melhores caminhos a serem seguidos. Considerando que a principal forma de efetivação e estabelecimento da cultura organizacional se dá com a relação contínua entre os colaboradores da empresa, é necessário ressaltar que o trabalho remoto pode se tornar um entrave para a manutenção da cultura da organização; ao mesmo tempo, o engajamento pode inovar e construir reputação e imagem mais fortes. O importante é não se manter parado!

Algumas ações causam impacto imediato, motivando, agregando valores e reduzindo a insegurança. Entre elas, demonstrar sua visão organizacional: como a empresa se posiciona diante da crise e quais as ações que serão tomadas para resolução dos problemas são informações imprescindíveis para os funcionários neste momento. Manter a transparência nas ações e objetivos é a melhor opção. Os funcionários vão perceber o empenho da empresa e o cuidado com o novo momento.

Outra medida é enfatizar a missão e os valores da empresa. Sempre! O distanciamento dos colaboradores com o ambiente físico de trabalho pode desconectá-los das diretrizes da empresa. Articular ações internas realizadas pelo meio digital sobre comportamentos, valores e posturas adequados para o ambiente de trabalho é desejável.

Uma terceira iniciativa é promover o contato entre os colaboradores. É essencial para alinhar as atividades entre os funcionários, mas também pode ser bastante útil para promover eventos (virtuais) de descontração entre eles. Após as reuniões de trabalho pode-se realizar ações de engajamento, bate-papos, palestras, troca de experiências.

É ainda importante valorizar o trabalho individual – demonstrar a importância de cada colaborador, através de feedbacks construtivos e honestos, é essencial para que se sintam seguros neste momento – e investir no bem-estar do trabalhador. Muitas empresas têm oferecido serviços gratuitos na área da saúde mental a seus colaboradores como forma de prevenção de transtornos como ansiedade e depressão.

Não há fórmula pronta, cada empresa tem suas peculiaridades. Certo é que a cultura de uma empresa predomina se suas diretrizes são praticadas na rotina de colaboradores e, principalmente, de seus líderes.

*Tati Santarelli, CEO da TeamHub, plataforma de gestão de cultura organizacional

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