‘Não dá pra ficar o resto da vida’ bancando Cunha e Funaro, reclamou Joesley

‘Não dá pra ficar o resto da vida’ bancando Cunha e Funaro, reclamou Joesley

Em conversa gravada com o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o empresário da JBS falou sobre os pagamentos feitos a familiares do ex-parlamentar condenado na Lava Jato e de seu operador

Fabio Leite

20 de maio de 2017 | 05h00

Eduardo Cunha fez Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O empresário e delator Joesley Batista, um dos donos da JBS, disse ao deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) que estava bancando as famílias do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos pela Lava Jato, e reclamou que isso não poderia durar ‘o resto da vida’.

Joesley recebeu Rocha Loures em sua casa, em São Paulo, no dia 13 de março de 2017, e gravou toda a conversa, que durou mais de uma hora. O parlamentar foi indicado pelo presidente Michel Temer como uma pessoa de sua ‘extrema confiança’ para ajudar o empresário em seus negócios e é acusado de receber R$ 500 mil em propina da JBS a pedido de Temer, que nega envolvimento.

A gravação foi anexada ao pedido de investigação contra Temer por corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e aceito pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, Joesley afirma que avisou Temer sobre os pagamentos a Cunha e Funaro para mantê-los em silêncio, durante encontro com o presidente no Palácio do Jaburu, em 7 de março deste ano, também gravado. Segundo o MPF, Temer pediu para Joesley manter os pagamentos. O presidente nega.

“Falei pro Michel, desde quando o Eduardo foi preso e ele (Funaro) quem está segurando as pontas sou eu, dos dois. Tanto da família de um como a do outro. Isso aparentemente está trazendo uma certa… de um lado é isso”, disse Joesley. “Agora, o que você comentou, o problema é o seguinte, Rodrigo, a gente tem que pensar que essa situação não dá para ficar o resto da vida. Um mês vai, dois meses, três meses, seis meses, mas vai chegando uma hora que assim, você vai indo, indo”.

No depoimento prestado ao MPF, Joesley disse ter pago R$ 5 milhões em ‘saldo de propina’ a Cunha – outros R$ 15 milhões já haviam sido pagos quando ele ainda era deputado. O delator também disse “que continua pagando ao Funaro R$ 400 mil para garantir o silêncio dele e de Cunha” e “que sempre recebeu sinais claros que era importante manter financeiramente ambos e as famílias, inicialmente por Geddel Vieira Lima e depois por Michel Temer”.

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