Namoradas são expulsas de bar após ‘selinho’ no banheiro e denunciam homofobia

Namoradas são expulsas de bar após ‘selinho’ no banheiro e denunciam homofobia

Brenda Araújo, de 24 anos, relatou em sua rede social a discriminação de que teria sido vítima com a companheira, segundo ela, no interior do Capitão Boliche, situado em Sobradinho, Brasília; também em suas redes, o estabelecimento informou que repudia homofobia e 'qualquer incitação ao ódio'

Carla Melo, especial para o Estado

30 de junho de 2022 | 06h00

No período em que é comemorado o mês do Orgulho LGBTQIA+, a jovem Brenda Araújo, de 24 anos, foi até a sua rede social para denunciar o crime de homofobia que teria acontecido no Capitão Boliche, bar localizado em Sobradinho, Brasília (DF). Segundo relato da jovem, o caso teria acontecido após ela e a sua namorada darem “um selinho” no banheiro do estabelecimento.

Segundo a jovem, o casal teria ido comemorar o aniversário de uma das sócias do estabelecimento que aconteceu na segunda-feira, 27, quando a cena do beijo foi avistada pela própria aniversariante, que teria iniciado a confusão.

“Era uma comemoração privada onde todos os funcionários e envolvidos foram convidados, estávamos bebendo, jogando, e nos divertindo até o momento em que sofremos o ataque e fomos expulsas do local por uma simples demonstração de afeto”, escreveu Brenda. 

Segundo Brenda, a sócia teria se alterado, e informou que o casal teria que se retirar do estabelecimento. Na versão da jovem, quando teriam ido pegar as coisas, as duas teriam sido xingadas e “submetidas” a gritos e à falta de respeito, até o momento que sofreram a primeira tentativa de agressão vindo do gerente do estabelecimento, que também é namorado da sócia do Capitão Bar.

“Ao tentar nos defender, nosso amigo Hector é agredido com um soco no rosto, a partir daí tentei começar a filmar e o celular foi tomado de mim por duas vezes, em uma delas o vídeo não foi apagado, fomos expulsos e empurrados para fora do Beliche por um grupo de amigos e funcionários”

Brenda conta que elas teriam chamado a polícia, que as conduziu até a delegacia para fazer a denúncia. “Ao deixar a delegacia, fomos novamente insultados pela gerente do estabelecimento que chamou o nosso amigo de “viado desgraçado” além de proferir ameaças.”

Foto: Reprodução/Rede Social

Ao chegar em um estabelecimento aberto, Brenda conta ainda que o carro de um dos agressores passava diversas vezes em frente ao local. Segundo ela, eles teriam descido e tentado mais uma vez agredi-los. A jovem diz que tiveram que chamar uma nova viatura para retornarem à delegacia e assim fazer uma outra denúncia.

Em nota divulgada também na rede social, o Capitão Boliche informou que repudia a denúncia de “homofobia supostamente praticada pela empresa” e que não compactua com “esse tipo de postura e repudia qualquer incitação ao ódio ou discriminação.

“Repudiamos igualmente as declarações e vídeos publicados no perfil instagram @brendacpa, nesta data de 28/06/2022, com ampla repercussão em perfis do facebook e no google, em que a autora Brenda Araújo alega caso de descriminação e práticas intoleráveis e inadmissíveis de crime de homofobia supostamente praticados pelo Capitão Boliche.”

A denúncia foi registrada na madrugada de terça-feira, 28, na 35ª Delegacia de Polícia Civil como vias de fato, que caracteriza-se como infração penal que ameaça a integridade física, através de violência contra pessoas sem que haja lesões corporais. A delegacia investiga o fato.

COM A PALAVRA, CAPITÃO BOLICHE

“O Capitão Boliche, por sua diretoria, vem a público manifestar seu repúdio a respeito da denúncia de homofobia supostamente praticada pela empresa. 

A empresa ressalta veementemente que não compactua com esse tipo de postura e repudia qualquer incitação ao ódio ou discriminação.

Repudiamos igualmente as declarações e vídeos publicados no perfil instagram @brendacpa, nesta data de 28/06/2022, com ampla repercussão em perfis do facebook e no google, em que a autora Brenda Araújo alega caso de descriminação e práticas intoleráveis e inadmissíveis de crime de homofobia supostamente praticados pelo Capitão Boliche.”

O que aconteceu na noite de ontem, segunda-feira, 27/6/2022, embora o Capitão Boliche não funcione às segunda-feiras, e por isso, cedeu o espaço de festas para um evento particular fechado, portanto, sem clientes na casa, para a confraternização de aniversariante do mês de funcionários e colaboradores do Capitão Bar, mas infelizmente, funcionários de folga e amigos se alteraram no final da festa, decorrendo daí alguns desentendimentos levados à efeito a partir dos portões de saída do Capitão Boliche, na rodovia df-150, na frente da própria delegacia de polícia civil e atingindo outros estabelecimentos da cidade , como foi o caso da Ultrabox, da quadra 8, de Sobradinho.

“Ressalta-se que estes desdobramentos já são inclusive de conhecimento da autoridade policial competente, que já colheu depoimentos e apura quanto à falsa autoria de crime de homofobia indevidamente atribuído ao Capitão Boliche.

Entristece-nos saber que, infelizmente, apenas um dos lados foi amplamente divulgado nas redes sociais e pessoas inocentes, especialmente a empresa Capitão Boliche, estão sendo acusadas injustamente disso, inclusive ameaças de pessoas anônimas e bloqueios sistêmicos do instagram, facebook e google.

Desse modo, a assessoria jurídica do Capitão Boliche está atenta a expressões e atitudes que instigam o ódio por meio de redes sociais, notadamente por meio de discursos e narrativas ideológicas, sobretudo usadas de maneira que ultrapassem o direito de expressão que obviamente tem limites, especialmente quando incitam a violência ou a agressão.

Por estas razões, o Capitão Boliche pede escusas aos clientes, e especialmente à comunidade LGBTQIA+ por essas falsas, inverídicas e lamentáveis denúncias contra a empresa.”

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