Na véspera de julgamento, Raquel reforça pedido para condenar Meurer por desvio de recursos da Petrobrás

Deputado do PP é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no primeiro julgamento da Lava Jato no Supremo, marcado para esta terça-feira, 15

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo/ BRASÍLIA

14 Maio 2018 | 20h07

Nelson Meurer. Foto: Viola Junior / Câmara dos Deputados.

Na véspera da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal fazer o primeiro julgamento de uma ação penal da Lava Jato, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou nesta segunda-feira (14) uma manifestação à Corte reforçando o pedido para que o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) seja condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por causa de recursos desviados da Petrobrás.

O caso marcará o primeiro julgamento de uma ação penal da Lava Jato no STF. No dia 11 de abril, a Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrou prioridade no julgamento do processo, alegando “risco de ocorrência de prescrição retroativa”, caso Meurer seja condenado à pena mínima de dois anos de reclusão no que tange ao crime de corrupção passiva.

Caberá nesta terça-feira, 15, aos ministros da Segunda Turma do STF – colegiado composto pelos ministros Edson Fachin, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski – decidir se Meurer será condenado ou absolvido das acusações de ter participado de um esquema de corrupção instalado na Petrobrás. Toffoli não deve comparecer à sessão.

Para a PGR, Meurer integrou o grupo criminoso do Partido Progressista que recebeu vantagens indevidas no âmbito da diretoria de abastecimento da Petrobrás por intermédio de Paulo Roberto Costa. Em troca, o parlamentar teria fornecido o “apoio e a sustentação política” para a manutenção de Paulo Roberto Costa na estatal.

“O recebimento de vantagens indevidas pelo PP e por Nelson Meurer, muitas vezes com a participação consciente e voluntária de seus filhos, deu-se mediante a execução de variadas técnicas de lavagem de dinheiro, utilizadas no intuito de camuflar a ilicitude dos valores recebidos”, acusou Raquel Dodge.

O parlamentar se tornou réu em junho de 2016, quando a Segunda Turma aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a PGR, teriam sido feitos pelo menos 161 repasses ao PP e ao deputado, que totalizaram R$ 357,9 milhões, entre 2006 e 2014, em esquema envolvendo o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff. O inquérito chegou à Suprema Corte em março de 2015.

Técnicas. Para a procuradora-geral da República, uma das técnicas de lavagem de dinheiro foi a utilização de propina disfarçada de doação eleitoral. “Utilizar o aparelho do Estado como meio para lavar o dinheiro é, como dito pelo eminente Ministro Celso de Mello, comportamento ousado e atrevido, que ofende de modo ainda mais grave o bem jurídico”, afirmou Raquel Dodge.

“O sistema eleitoral foi usado apenas como instrumento de ocultação e dissimulação da natureza, da origem, da localização, da disposição, da movimentação e da propriedade de valores provenientes de infração penal, no caso a corrupção passiva”, concluiu a procuradora-geral da República.

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