Na retomada do turismo, novos agentes ganharão a cena

Na retomada do turismo, novos agentes ganharão a cena

Rui Santoro*

20 de março de 2021 | 04h30

Rui Santoro. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Sempre que comentamos sobre os impactos causados pela pandemia do covid-19 no setor do turismo vem à tona o quanto grandes agências de viagens, companhias aéreas e pontos turísticos ao redor do mundo deixaram de faturar. Para muitos, viajar está altamente associado a pegar um avião, trocar real por Euro ou Dólar e partir para as sonhadas e merecidas férias.

Sim, que os gigantes do turismo movimentam as maiores cifras é um fato inegável. Que muitos países e cidades dependem especificamente do turismo também. Porém, meu objetivo aqui não é, assim como muitos, comentar os péssimos índices do segmento. Mas e quando tudo se normalizar, o que poderemos encontrar?

Primeiro é preciso lembrar que o setor não está paralisado. Com todos dentro de casa, a procura por um apartamento maior, com varanda, ou aquela cidade do interior cresceu disparadamente. Para se ter uma base, segundo dados da ImovelWeb, a busca por imóveis rurais em março foi 52% maior que em fevereiro e 124% superior a março de 2019.

Altamente associado a essa migração de cidade grande para o campo, o turismo aponta novos protagonistas. Números da Airbnb mostram que as buscas por locais a até 300 km de distância de casa cresceram 150% em maio de 2020 na comparação com igual período de 2019.

Os badalados destinos, neste momento, altamente conhecidos por aglomerações, filas quilométricas e horas e mais horas para fazer um registro de 10 segundos, estão sendo deixados de lado. No paralelo, lugares com pouca atenção, até então, mas que não perdem seu brilho ou contam com suas peculiaridades, tomam a cena.

Com esse cenário, as grandes companhias de viagem começaram a estudar e a se adaptar para a realidade. Mas não contavam que, bem antes da pandemia, já estavam alí os locais – verdadeiros conhecedores e protagonistas de cada história. Agora é a hora, mais do que nunca, do empoderamento e da chance de democratizar ainda mais os costumes de cada região.

Atire a primeira moeda na Fontana di Trevi quem nunca fez uma viagem e, quando voltou, descobriu que passou por todos os pontos turísticos que são relatados por influenciadores ou agências, mas que não foi no local mais lindo daquele ponto – simplesmente por não conhecer. Ou que atire outra pedra quem nunca dependeu do seguro viagem ou do auxílio da companhia quando passou por apuros.

Na retomada, enquanto os gigantes do setor ainda estarão mapeando o que fazer e subindo os seus preços para equalizar a situação, aquela pessoa que nasceu e vive alí por toda a vida, estará um passo a frente – podendo até monetizar seus conhecimentos.

Pós-vacina, pós-covid, o maior ativo do setor do turismo será aquele que vai saber melhor acolher. O mundo já precisa e precisará ainda mais de um mercado com melhor atendimento, compatibilidade e empoderamento.

*Rui Santoro é empresário, advogado e CEO da Local

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