Na quarentena, aumento de processos judiciais devido a golpes e casos de família

Na quarentena, aumento de processos judiciais devido a golpes e casos de família

Lorrana Gomes*

15 de maio de 2020 | 03h30

Lorrana Gomes. FOTO: DIVULGAÇÃO

O número de processos judiciais vêm tomando uma proporção cada vez maior durante a quarentena. Em tempos de pandemia da covid-19, os crimes cibernéticos e processos de Família têm disparado e já são em muito maior número em comparação com o mesmo período do ano passado, entre janeiro e março de 2019, durante o isolamento social e o lockdown que acontece em algumas cidades.

Crise familiar

Entre os motivos para os litígios familiares estão o maior tempo de convivência entre os companheiros, situações de estresse e esgotamento com a ameaça da covid-19, crise econômica e maior tempo de permanência dos filhos em casa que estão estudando online e precisando cada vez mais da intervenção dos pais. Por este motivo, muitos casais têm procurado por ações de divórcio, regulamentação e pensão e guarda dos filhos.

Processos de divórcio e ações relacionadas à violência doméstica têm crescido vertiginosamente neste período, registrando um aumento superior à 100%. A tendência segue também em outros países como Estados Unidos e China, de acordo com informações da BBC, sendo 70% dos divórcios requeridos pelas mulheres.

Crimes cibernéticos dispararam durante a quarentena

Os crimes cibernéticos tiveram um salto, gerando prejuízo financeiro às famílias justamente em um momento em que o desemprego é a realidade no país. Muitos oportunistas estão aproveitando que as pessoas estão passando mais tempo online para praticar o estelionato através das redes sociais, no WhatsApp e em sites falsos de bancos, financeiras e supostos empréstimos consignados. Infelizmente com a crise surgem também os aproveitadores que, em vez de demonstrar empatia com o sofrimento de milhões de pessoas que estão perdendo seus empregos e fontes de renda, estão buscando tirar vantagem da fragilidade das famílias, em especial das pessoas mais idosas, consideradas mais vulneráveis por estes golpistas.

Boleto no whatsapp

Entre os golpes mais frequentes está aquele em que a vítima recebe um boleto via whatsapp ou e-mail para negociar o pagamento de um débito que de fato existe: no entanto a vítima acaba pagando um boleto falso. Isso acontece porque a própria vítima é induzida a fornecer dados como a data de vencimento do boleto, nome completo e valor a ser negociado, facilitando o criminoso no envio do boleto com os dados corretos.

Falsa financeira

Outro crime comum é quando a vítima recebe uma ligação dizendo ser de uma instituição financeira: a pessoa que telefona informa sobre um vínculo verdadeiro com uma financeira e, ao ver que as informações conferem, a vítima acaba passando dados como nome, CPF, entre outros. Há casos em que a vítima chega a informar até mesmo a senha do banco, permitindo que os criminosos realizem transferências online.

É possível recuperar os valores extorquidos por golpistas

Para a recuperação dos valores, uma das teses utilizadas pelos juristas é a tese do do risco da atividade, onde se argumenta que a instituição financeira possui a obrigação objetiva em reparar o dano causado ao consumidor. Temos argumentado diante da multiplicação dos casos que agora, em isolamento, as pessoas possuem maior tendência a serem manipuladas, pois estão mentalmente fragilizadas. Por outro lado, os criminosos se aperfeiçoam a cada dia mais. Ou seja, temos o cenário perfeito para esse tipo de crime.

Como evitar ser vítima de golpes

O conselho é ter cuidado ao fazer transações bancárias e pagar boletos de forma online, pensar antes de agir: E, em caso de dúvidas, entrar em contato com a instituição financeira para verificar a autenticidade das informações. Nunca passe informações pelo WhatsApp. Antes de manter contato com a empresa pelo aplicativo, é importante verificar se a conta comercial é confirmada ou verificada – em caso positivo, haverá no perfil um ícone verde ou cinza com um tique ou selo de verificação.

*Lorrana Gomes, sócia-fundadora do escritório L Gomes Advogados

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