Na PF, Wesley da JBS diz que grupo ‘atua de forma padronizada’

Na PF, Wesley da JBS diz que grupo ‘atua de forma padronizada’

Acionista do grupo depôs no inquérito que investiga suposto uso de informações privilegiadas das delações de seus executivos para operações de recompra de ações e dólares

Marcelo Osakabe. Luiz Vassallo e Julia Affonso

09 Agosto 2017 | 18h21

Wesley Batista. Foto: Werther Santana/Estadão

O empresário Wesley Batista, acionista da JBS, afirmou em depoimento na Polícia Federal nesta quarta-feira, 9, que o grupo ‘atua de forma padronizada há mais de cinco anos’. Ele negou que o grupo tenha feito uso de informações privilegiadas das delações de seus executivos para operar recompra de ações e dólares.

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A Polícia Federal suspeita que o grupo tenha auferido lucros extraordinários a partir de transações no mercado de ações e câmbio com base na divulgação da delação dos executivos da JBS – episódio que mergulhou o governo Michel Temer em sua pior crise política.

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Na parte da manhã desta quarta-feira, Joesley Batista, irmão de Wesley, também depôs.

“Wesley explicou cada operação de recompra de ações e de hedge cambial e os critérios técnicos e econômicos adotados”, disse o criminalista Pierpaolo Bottini, advogado dos Batista. “Ele destacou que a empresa atua de forma padronizada há mais de cinco anos e não houve qualquer alteração.”

Indagado pela repórter Rosana Cerqueira, da Globo News, sobre a desconfiança do mercado com relação às transações do grupo dos irmãos Batista dias antes da divulgação de suas delações, Pierpaolo Bottini declarou.

“Algumas (operações) foram realizadas dias antes, mas outras foram realizadas um mês antes. As transações guardam uma racionalidade com aquilo que foi feito um ano antes pelo grupo. Não há uma relação direta, nem indireta, com essa colaboração premiada.”

O criminalista enfatizou. “Wesley e Joesley explicaram de maneira técnica a razão econômica de todas as operações, de todos os movimentos de compra de ações, as operações de câmbio realizadas. Explicaram as datas, as razões pelas quais aquilo foi feito. Demonstraram que tudo aquilo está dentro de um padrão da empresa, obedecido há muitos anos. Portanto, não tem nenhuma relação com a realização ou não da colaboração  premiada.”

Pierpaolo destacou que os irmãos Batista ‘explicaram com datas, demonstraram que no passado fizeram operações bastante similares, em períodos bastante similares, explicaram a racionalidade econômica, a razão pelas quais eles compraram as ações, a razão pelas quais operaram no câmbio’.

“Demonstraram tecnicamente a racionalidade disso, revelando mais uma vez que não houve nenhuma relação com a colaboração premiada.”

O advogado afirmou que os Batista vão apresentar à Polícia Federal documentos que corroboram a correção das operações. “Estão levantando relatórios analisados à época para demonstrar e justificar as operações. Há relatórios de consultorias econômicas, de consultorias de investimentos que demonstram que, naquele momento, aquela operação era absolutamente justificada e não tem nenhuma relação com a colaboração.”

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