Na PF, Dirceu também vai ficar em silêncio, diz defesa

Na PF, Dirceu também vai ficar em silêncio, diz defesa

Ex-ministro-chefe da Casa Civil alega, por seu defensor, que não teve acesso a documentos da Lava Jato e à delação de empreiteiro, por isso vai se calar diante dos delegados da Lava Jato

Redação

31 de agosto de 2015 | 11h34

dirceu_futurapress511

Defesa do ex-ministro diz que não teve acesso a documentos dos autos

 

Por Andreza Matais, de Brasília, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Valmar Hupsel Filho, de São Paulo

José Dirceu vai permanecer em silêncio também na Polícia Federal, na tarde desta segunda-feira, 31. Como já fez perante a CPI da Petrobrás, pela manhã, o ex-ministro-chefe da Casa Civil do Governo Lula não irá responder a nenhuma indagação, seguindo orientação de seu defensor, o criminalista Roberto Podval.

Preso desde 3 de agosto na Operação Pixuleco II, desdobramento da Lava Jato, Dirceu está sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal atribui ao ex-ministro o papel de ‘instituidor’ do esquema de propinas que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

O criminalista Roberto Podval destaca pelo menos dois pontos que reputa fundamentais para tomar a decisão de manter Dirceu calado na PF.

Um deles é o laudo pericial concluído na semana passada que aponta incompatibilidade nos rendimentos por ele auferidos via JD Assessoria e Consultoria, sua empresa. O laudo aponta que 80% dos rendimentos declarados não transitaram por suas contas bancárias.

O outro ponto invocado pelo defensor é o fato de ainda não ter  tido oportunidade de analisar a integra da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, que cita o ex-ministro como beneficiário de propinas do esquema na Petrobrás.

“José Dirceu vai ficar em silêncio também na Polícia Federal porque ainda não tivemos acesso a muitos documentos. Por exemplo, acessamos o laudo pericial da Polícia Federal, mas não a todo o material que demonstra como (os peritos) chegaram ao resultado. Esse material ainda não foi juntado aos autos. Então, não  tenho como falar sobre o laudo sem ter isso”, aponta Roberto Podval.

O advogado fala das delações do lobista Milton Pascowitch e do empreiteiro Ricardo Pessoa. O primeiro, também alvo da Lava Jato, imputou a Dirceu o recebimento de valores ilícitos e provocou a deflagração da Pixuleco, no dia 3 de agosto, que culminou com a prisão do ex-ministro de Lula.

“O juiz federal Sérgio Moro nos franqueou a delação do Milton (Pascowitch), mas nós não temos por parte do ministro Teori (Zavascki, do Supremo Tribunal Federal) a integra da delação do Ricardo Pessoa”, declarou Podval.

Para o criminalista é preciso ‘encontrarem um meio termo’ entre o direito de defesa e a necessidade de manter sob sigilo trechos das delações que podem incriminar outros personagens da Lava Jato.

“Acho que estão precisando organizar isso. Eu entendo que o teor das delações pode gerar novas investigações ainda pendentes, provavelmente envolvendo outras pessoas que não têm nada a ver com Dirceu. Mas temos que achar uma forma que não prejudique as investigações futuras e que não prejudique o direito de defesa.”

Segundo Podval, o ex-ministro gostaria de esclarecer todos os pontos da investigação que o acusa de ‘instituidor’ do esquema na Petrobrás. “Mas não temos um conhecimento pleno do que há contra Dirceu. Obviamente, não é culpa de ninguém, mas há que se conciliar o interesse da investigação, por um lado, e a garantia da defesa, por outro lado. Essa é a dificuldade que a defesa está tendo hoje. Não consigo fazer com que ele (Dirceu) se defenda porque não conhecemos a integra das investigações. Sob pretexto de não atrapalhar as investigações a defesa não pode ficar nessa condição.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.