Na Justiça, ex-chefe da Dersa só responde perguntas de sua própria defesa

Na Justiça, ex-chefe da Dersa só responde perguntas de sua própria defesa

José Geraldo Casa Vilela, que dirigiu o Departamento de Assentamento da Desenvolvimento Rodoviário S/A do governo paulista, foi interrogado na Justiça Federal na ação penal da Lava Jato em que é réu ao lado do ex-diretor da companhia Paulo Vieira de Souza sobre supostos desvios de R$ 7,7 milhões em programa de desapropriações do trecho Sul do Rodoanel

Julia Affonso

02 Outubro 2018 | 18h18

Trecho do Rodoanel em São Paulo. FOTO: AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO

O ex-chefe do Departamento de Assentamento da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) José Geraldo Casa Vilela afirmou em interrogatório na Justiça Federal em São Paulo que ‘é inocente’. O engenheiro civil não respondeu às perguntas da juíza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Federal, nem do Ministério Público Federal e nem das defesas de outros três réus no processo penal sobre supostos desvios de R$ 7,7 milhões da companhia em desapropriações do trecho Sul do Rodoanel. Vilela somente respondeu aos questionamentos de sua própria defesa, a cargo do criminalista Fernando Araneo.

A investigação é da força-tarefa da Operação Lava Jato, em São Paulo.No início da audiência, a defesa do ex-diretor pediu à magistrada que o depoimento fosse tomado em sigilo, sem o testemunho da imprensa. Os advogados de outros réus – o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza e sua filha Tatiana Cremonini – não se opuseram. O Ministério Público Federal e o advogado Emerson Flávio da Rocha, que defende uma das rés, rejeitou a estratégia de Vilela.

A juíza Maria Isabel negou. Com a decisão, a defesa de Vilela informou à magistrada que o engenheiro responderia somente às suas próprias perguntas.

“Sou inocente, fui envolvido nesse processo”, afirmou.

Durante um questionamento de seu defensor, Vilela afirmou que um sobrinho do ex-presidente da Dersa Laurence Casagrande Lourenço aprovou pagamentos irregulares na Dersa. Segundo o engenheiro, ‘pagamentos semelhantes’ aos apontados na denúncia do Ministério Público Federal. Laurence é acusado em outra ação penal da Lava Jato, sobre supostos desvios em obras do trecho Norte do Rodoanel.

No mesmo processo em que Vilela depôs, é acusado o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira por desvios de R$ 7,7 milhões da estatal paulista em desapropriações do trecho Sul do Rodoanel. A investigação é da força-tarefa da Operação Lava Jato, em São Paulo.

A denúncia criminal contra Vilela e Paulo Vieira alcança outros três investigados, todos acusados de desvios em proveito próprio e de terceiros, entre 2009 e 2011. O montante global foi de R$ 7,7 milhões (valores da época) em recursos e imóveis destinados ao reassentamento de pessoas desalojadas por grandes obras da Dersa na região metropolitana de São Paulo – o trecho sul do Rodoanel, o prolongamento da avenida Jacu Pêssego e a Nova Marginal Tietê.

A acusação aponta que Paulo Vieira comandava o esquema. Os investigados são suspeitos de formação de quadrilha, peculato e inserção de dados falsos em sistema público de informação.

COM A PALAVRA, LAURENCE CASAGRANDE LOURENÇO

Luciano Dias de Lourenço, arquiteto que é primo e não sobrinho de Laurence Casagrande Lourenço, foi ouvido como testemunha nos autos em que hoje foi interrogado Geraldo Casas Vilela. Naquele depoimento, Luciano prestou todos os esclarecimentos sobre as condições em que aprovou os pagamentos, cumprindo cronograma elaborado por gestão anterior à sua admissão na Dersa, e também informou o grau de parentesco com Laurence.

Luciano sucedeu Vilella e menção a seu nome por este último só pode ser entendida como tentativa de atingir Laurence, que foi quem determinou a realização de auditoria interna para apurar as irregularidades havidas no programa de reassentamento da Dersa. O relatório da auditoria, aliás, constitui a base das acusações feitas pelo MPF, inclusive a Geraldo Vilela.

COM A PALAVRA, A DERSA

A DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A e o Governo do Estado de São Paulo são os grandes interessados acerca do andamento das investigações. A Companhia reforça seu compromisso com a transparência e se mantém, como sempre o faz, à disposição dos órgãos de controle para colaborar com o avanço das investigações, tanto que as provas utilizadas pelo Ministério Público nesse processo são resultado de apuração promovida pela auditoria interna da Companhia, entre 2014 e 2016. Luciano Dias Lourenço não faz mais parte do quadro de funcionários da empresa.

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