Na guerra das maquininhas, saiba como enfrentar a concorrência

Ademar Proença

07 de dezembro de 2019 | 06h00

Até pouco tempo atrás, as pessoas não tinham muitas opções na hora de pagar suas contas. As alternativas se restringiam às cédulas e cheques e a grande tendência era o cartão de crédito disponível apenas para quem tinha conta em banco. O avanço da tecnologia, contudo, remodelou os meios de pagamento. Agora, com o surgimento de diferentes fintechs, a população possui novas possibilidades no dia a dia, ao mesmo tempo em que os diferentes players do mercado precisam enfrentar uma concorrência cada vez mais competitiva em um cenário que ficou conhecido como “guerra das maquininhas”.

Basta olhar as estatísticas do setor para perceber o espaço de crescimento que há no Brasil. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o segmento do dinheiro de plástico transacionou R$ 1,55 trilhão em 2018, um avanço de 14,5% em relação ao ano anterior. O número parece elevado, mas corresponde apenas a 40% do consumo privado no Brasil. Ou seja, mais da metade de todas as compras realizadas pelos brasileiros é feita por outros métodos, como o dinheiro vivo, e que podem ser substituídos por soluções tecnológicas.

Por muito tempo, o mercado dos cartões e maquininhas ficou intocável e baseado no modelo de quatro partes, composto pelas bandeiras, bancos, adquirentes e varejistas. Resumindo: para a pessoa ter um cartão de crédito ou até mesmo um de débito, era preciso ser correntista em um banco, utilizar a bandeira parceira e utilizá-la nos sistemas oferecidos pelos adquirentes aos lojistas. Esse formato não é mais o único. Diversas soluções surgiram nos últimos anos para permitir que os “desbancarizados” possam aproveitar as vantagens do pagamento digital.

Conceitos como open banking e banking as a service já são abordados no mercado nacional e exigem que os players se desdobrem para se destacarem em um setor cada vez mais concorrido. Para isso, é essencial que as empresas atuantes no sistema financeiro invistam continuamente em inovação e tecnologia, desenvolvendo soluções que resolvem os problemas e as demandas da população. Tendências e novos recursos são apresentados todos os anos e fintechs que consigam adaptá-las à realidade brasileira se destacam mais rapidamente e conseguem crescer de forma significativa.

Além disso, por mais paradoxal que seja, os players que desejam crescer não devem considerar as outras empresas como rivais nos negócios. Pelo contrário, elas podem se tornar parceiras fundamentais que estimulem novos produtos e serviços e, consequentemente, que facilitem acordos para ambas as partes. O mercado financeiro permite que as fintechs possam operar em nichos específicos, tanto para o público corporativo quanto para o consumidor final, se aproximando de instituições financeiras e trabalhando em conjunto para que todo o setor possa crescer.

É um caminho sem volta para a área financeira, necessitada de soluções que agilizem o pagamento e, dessa forma, estimulem o consumo no varejo. Os cartões tendem a ganhar mais espaço, principalmente por conta do surgimento de novos modelos e métodos de acesso ao crédito. A “guerra das maquininhas”, portanto, está só começando, mas nesta luta, felizmente, o vencedor será sempre o consumidor por ter acesso a um universo amplo de soluções eficientes em seu dia a dia.

*Ademar é COO da Hash – fintech especializada em infraestrutura de pagamentos

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