Na era da disrupção, como a automação de processos está ajudando o mercado financeiro a ter mais eficiência?

Na era da disrupção, como a automação de processos está ajudando o mercado financeiro a ter mais eficiência?

Alexandre Abu-Jamra*

12 de agosto de 2020 | 04h30

Alexandre Abu-Jamra. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é novidade que bancos, financeiras e demais empresas de crédito estão há algum tempo numa cruzada por tecnologia. Fintechs desafiando grandes bancos, bancos se reinventando para se adaptar ao cenário e o ciclo virtuoso da inovação acontecendo.

Automação de processos, modelos de crédito eficientes, otimização de tempo e redução de riscos são os mantras que ecoam nas paredes dos escritórios e reverberam no pessoal do, agora, home office. Toda e qualquer oportunidade de otimização não passa ilesa. Assim que avistada não faltam startups ou squads internas prontas para fazer sprints e aplicar técnicas de desenvolvimento lean. Armadas com alta tecnologia, abrem fogo de bate pronto pois sabem que, se pestanejarem, o cavalo irá passar encilhado e a próxima caravana não virá tão cedo. E duas áreas do conhecimento em específico assumem a dianteira nessa corrida do ouro: machine learning e big data.

O dito “aprendizado de máquina” e seus modelos estatísticos que evoluem a partir da própria experiência estão por todos os lados hoje em dia. E é um aliado quase indissociável das tecnologias de big data, ferramentas de infra estrutura que permitem o processamento de dados em volumes muito grandes (que por sua vez também possuem machine learning acoplado).

Por incrível que pareça, quando se trata de analisar o comportamento financeiro de empresas, o processo em geral ainda é muito manual. Analistas recebem e organizam informações manualmente, realizam suas análises e comitês de crédito aprovam. Isso acaba fazendo com que pessoas extremamente qualificadas sejam alocadas em tarefas de baixo valor agregado, como por exemplo, “planilhar balanços” ou “cobrar o envio de informações”.

No entanto, algumas empresas já estão aplicando tecnologia de última geração para automatizar tarefas tecnologicamente complexas, mas de baixo valor agregado. Segundo nossos clientes, antes de usarem nosso serviço pelo menos 30% do tempo das equipes de análise de crédito costumava ser alocado em organização de informações. Mesmo gerentes sêniores se envolviam conferindo dados.

O uso de ferramentas especializadas de big data e inteligência artificial oferecem ao mercado dados sólidos, processos confiáveis e tomada de decisão automática.

Portanto, além de eficiência e rapidez de resposta, modelos automatizados de tomada de decisão garantem maior estabilidade,  previsibilidade e amplitude de informações. Hoje não é raro vermos uma aprovação de crédito instantânea, não é? Como empreendedor e desenvolvedor da área, entendo que este mercado seguirá em forte expansão por um bom tempo. Especialmente num cenário onde o mundo parou por conta da crise sanitária causada pela Covid-19, as incertezas e riscos afloram, mas a única certeza é que eficiência vai seguir sendo a regra do jogo.

*Alexandre Abu-Jamra, empreendedor, é CEO e fundador da Klooks, startup de big data e inteligência artificial

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