Na contramão da sedentarização: nomadismo digital vira estilo de vida no pós-pandemia

Na contramão da sedentarização: nomadismo digital vira estilo de vida no pós-pandemia

Gian Filippo Garcia*

08 de outubro de 2020 | 04h30

Gian Filippo Garcia. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando se fala em nomadismo, inconscientemente, a imagem que vem à mente da grande maioria das pessoas são os primatas, aqueles que não tinham habitação fixa e que sempre estavam em busca de um lugar mais seguro, com alimentação e boas condições de vida para habitar. A ideia de nômade tem muito a ver com a transição que os primeiros seres humanos faziam na terra, mas hoje, com a revolução digital, essas pessoas conseguem fazer migrações por meio da internet, gerando renda e tornando o mundo em um escritório particular.

Segundo dados do instituto de pesquisa MBO Partners, que mapeia os chamados trabalhadores independentes, cerca de 4,8 milhões de norte-americanos se descreviam como nômades digitais no ano de 2018, enquanto outros 17 milhões queriam adotar esse novo estilo de vida.

Transformar a vida na internet em um verdadeiro lifestyle pode ser interessante, mas somente depois de um aprendizado muito importante depois de um período de isolamento social: a tecnologia precisa ser nossa aliada.

Isso implica que ser um nômade digital é entender que a internet é nossa funcionária e não o contrário. Por meio de aplicativos, gadgets, computadores móveis e smartphones, o que surja a partir dessas ferramentas precisa ser capaz de produzir algo de útil para as outras pessoas e gerar riqueza no mundo.

Tornar-se um nômade digital aproximou muitas pessoas de uma qualidade de vida melhor e com mais liberdade. Não ter uma rotina definida, poder trabalhar quando quiser, conhecer novas culturas e ganhar dinheiro enquanto se diverte, apenas com um celular conectado à internet, é uma proposta bem atraente, principalmente para as pessoas de 18 a 30 anos.

O que se aprendeu também com a pandemia foi que, a longo prazo, esse novo estilo de vida será mais popular do que nunca. A grande maioria das empresas puderam perceber a eficácia do trabalho remoto e a produtividade dos funcionários quando não estão presos a salas fechadas e rotinas entediantes. Trabalhar em casa para a maioria dessas pessoas está sendo uma descoberta fantástica. É gratificante saber que é possível gerar renda a partir da internet de uma forma não tradicional e fora de um horário comercial.

As empresas de tecnologia, que entenderam a potência das ferramentas digitais, saíram na frente durante a pandemia e buscaram garantir conectividade cada vez mais veloz, além de aprimorarem ainda mais a segurança digital para o trabalho remoto — e nômade — se viabilizasse durante todo o período de quarentena.

Cogitar novos estilos de vida depois de uma crise é essencial para quem quer se preparar para novos desafios futuros. A prática de nomadismo digital é uma excelente opção para quem busca uma qualidade de vida melhor e quer fugir da rotina. Além de levar as pessoas a adquirirem mais conhecimento e cultura, a atividade de nômade digital pode ser uma adaptação necessária aos tempos em que vivemos. Assim como, no passado, os homens um dia precisaram se sedentarizar.

*Gian Filippo Garcia é especialista em vendas online e negócios digitais

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