Na contabilidade da propina da Odebrecht, partidos eram times de futebol

Na contabilidade da propina da Odebrecht, partidos eram times de futebol

Planilha entregue por delator da empreiteira à Procuradoria mostra que PT era Fla, PSDB era Corinthians...

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

17 de abril de 2017 | 20h40

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

O executivo Luiz Eduardo Rocha Soares, um dos delatores da Odebrecht, entregou à Operação Lava Jato uma tabela com os codinomes dos partidos políticos. O delator relatou que deu ‘apoio’ a Benedicto Júnior, o BJ, da Odebrecht Infraestrutura, nas eleições de 2006, 2010 e 2012.

“Conheço o esquema montado para o financiamento ilegal de campanhas”, afirmou Luiz Eduardo Rocha Soares em anexo de sua delação enviado à Procuradoria-Geral da República.

O PT era Flamengo e o PSDB, Corinthians. O PSB era o Internacional.

“Posso dizer que o financiamento ilegal funcionava da seguinte forma: a cada eleição se definia como seria operado o caixa, tanto para doações legais, como ilegais, atribuindo apelidos para cada cargo a ser disputado, por exemplo, em eleições para presidente (general), governador (capitão), senador (tenente), deputado federal (sargento), deputado estadual (cabo). Em outra eleição me recordo foram atribuídas posições de jogadores de futebol para cada cargo a ser disputado, como centroavante, meia, ponta esquerda, goleiro, etc. O nome dos políticos beneficiados também era substituído por apelidos”, detalhou o delator.

VEJA A TABELA COM OS TIMES E PARTIDOS

SPORT: PSB
FLAMENGO: PT
CORINTHIANS: PSDB
CRUZEIRO: PP
VASCO: PTB
PALMEIRAS: PPS
SÃO PAULO: PR
FLUMINENSE: DEM
ATLETICO MINEIRO: PSOL
BAHIA: PC do B
NAUTICO: PSC
BOTAFOGO: PSD
SANTOS:PRB
GREMIO: PDT
INTERNACIONAL: PMDB
SANTA CRUZ: PROS
CORITIBA:PV
ABC: SEM PARTIDO
REMO: REDE

PRESIDENTE – CENTROAVANTE
GOVERNADOR – MEIA
SENADOR – PONTA
DEPUTADO FEDERAL – VOLANTE
DEPUTADO ESTADUAL – ZAGUEIRO
BASE – GOLEIRO

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