Na ação do sítio de Atibaia, Lula critica Moro ministro de Bolsonaro

Na ação do sítio de Atibaia, Lula critica Moro ministro de Bolsonaro

Dez advogados do ex-presidente entregaram nesta segunda, 7, à juíza Gabriela Hardt alegações finais, calhamaço de 1643 páginas em que pedem absolvição do petista e sugerem motivação política do ex-juiz da Lava Jato

Luiz Vassallo, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

07 de janeiro de 2019 | 20h15

Lula e Moro. Fotos: Estadão

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à juíza federal Gabriela Hardt, nesta segunda-feira, 7, as alegações finais na ação penal em que ele é acusado de supostas propinas por meio de reformas no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). No calhamaço de 1643 páginas, um capítulo à parte é dedicado somente ao aceite do juiz federal Sérgio Moro para chefiar o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

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“Lula fora das eleições e preso — graças fundamentalmente à atuação do ex-juiz Sérgio Moro”, afirmam os dez advogados de Lula.

Segundo eles, ‘não bastasse ter agido para prejudicar o defendente e seus correligionários na disputa eleitoral, o antigo juiz do processo, abandonando de vez qualquer aparência de imparcialidade, aceitou o convite para integrar o governo do presidente Jair Bolsonaro, na qualidade de Ministro da Justiça’.

Os advogados ressaltam que ‘Jair Bolsonaro disputou o segundo turno das eleições presidenciais com um correligionário do defendente’ – referência a Fernando Haddad.

“Ao longo da campanha realizou declarações atentatórias ao Estado de Direito e, no que interessa ao processo, ameaçou publicamente o defendente e seus correligionários, afirmando, em tom de galhofa, que iria ‘varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil’; que o defendente iria ‘apodrecer na cadeia’ e que seus aliados políticos, seu concorrente aí incluso, seriam jogados ao cárcere para ‘ficar alguns anos’ ao lado do defendente”, dizem.

O petista nega ter recebido propinas e afirma ser vítima de perseguição política.

O caso envolvendo o sítio representa a terceira denúncia contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato.

A entrega das alegações finais representa a fase final da ação penal. Após as manifestações derradeiras dos réus e do Ministério Público Federal, Gabriela Hardt poderá sentenciar os réus.

Segundo a acusação, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin, com o pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobrás.

A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.

O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos do ex-presidente, Fernando Bittar – filho do amigo e ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna.

Em suas alegações finais, os advogados constituídos pela defesa de Lula apontam supostas nulidades do processo e pedem a absolvição do petista.

Os defensores de Lula afirmam que a ‘cônjuge do antigo titular desta Vara Federal já havia declarado apoio ao candidato que se sagrou vencedor, comemorando publicamente sua vitória’.

“O magistrado, por seu turno, se arrogou à posição de comentarista político e agraciou o presidente eleito com congratulações, sugerindo ‘reformas para recuperar a economia e a integridade da Administração Pública’, sustentam.

A defesa argumenta que ‘não se tem notícia que outro magistrado tenha feito algo semelhante – excluindo-se aqueles que possuíam dever institucional em fazê-lo; também não há registro de que o julgador tenha dispendido a mesma cortesia aos Presidentes eleitos nos certames anteriores’.

“Com efeito, segundo revelado pela imprensa, o então juiz Sérgio Moro manteve contato com a cúpula da campanha do Presidente eleito durante o processo eleitoral”, afirmam.

Os advogados citam que Moro tornou público depoimento do ex-ministro Antonio Palocci (Governos Lula e Dilma) durante o pleito, e suspendeu o interrogatório de Lula para evitar ‘exploração eleitoral’.
“É preciso dizer mais sobre o lawfare praticado contra o defendente e a ausência de imparcialidade do julgador?”, indaga a defesa.

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