Museu recebe 22 quadros apreendidos de Renato Duque

Museu recebe 22 quadros apreendidos de Renato Duque

Obras de artistas famosos, como Alfredo Volpi e Cícero Dias, foram entregues pela Polícia Federal nesta terça-feira, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, onde estão 270 peças recolhidas pela Lava Jato

Redação

11 de agosto de 2015 | 14h32

Quadros de ex-diretor da Petrobrás Renato Duque entregues para museu pela Polícia Federal / Foto: Ricardo Brandt

Quadros de ex-diretor da Petrobrás Renato Duque entregues para museu pela Polícia Federal / Fotos: Ricardo Brandt

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A Polícia Federal entregou nesta terça-feira, 11, ao Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR), 22 quadros apreendidos pela Operação Lava Jato que seriam do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – preso desde março, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

Entre as obras de arte, a mais valiosa é um dos quadros da série “Ogiva”, do contemporâneo Alfredo Volpi (1896 – 1988), que pode valer até R$ 800 mil, em uma estimativa prévia da PF.

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O italiano radicado no Brasil desde os 2 anos Alfredo Volpi pintou a série Ogivas entre as décadas de 70 e 80.

Considerada o medalhão do pacote de 22 quadros que chegaram ao museu de Curitiba para serem catalogadas, analisadas e irem para exposição, a “Ogiva”, que Duque possui, tem 71X47 e está em uma moldura, entre vidros. O método é considerado pouco usual para uma tela.

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A obra é da fase de Volpi em que ele trocou tinta óleo pela têmpera, uma técnica antiga na qual os pigmentos são misturados a um aglutinante, em geral o ovo. O vidro dos dois lados impede que a tela respire e atrapalha a visualização do tracejado do pincel, permitido pela secagem rápida da têmpera.

Entre os 22 quadros há obras de Alberto de Veiga Guignard, José Antônio dos Santos e Cícero Dias. Com o novo lote entregue para a PF, o Museu Oscar Niemeyer tem agora cerca de 270 peças apreendidas pelas Lava Jato, desde março de 2014. Dessas, 48 estão em exposição ao público.

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Lavagem. No registro do quadro, o valor declarado da “Ogiva”, de Volpi, é de cerca de R$ 400 mil. “Significa que os outros R$ 400 mil podem ter sido ocultos, não declarados”, explicou o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula.

“Usar quadros é um mecanismo eficiente de difícil constatação de diferença de valor de compra e venda. A avaliação é subjetiva, então é um procedimento que estamos vendo que foi usado por alguns operadores no esquema junto à Petrobrás”

As obras entregues nesta segunda-feira ao museu são, em maioria, “presentes” dados pelos operadores de propina no esquema na Petrobrás Milton Pascowitch e João Bernardi Filho para Duque.

A Lava Jato tinha mandado para recolher 14 desses quadros, com base nas notas e registros de propriedade apreendidos nas buscas feitas em fases anteriores da Lava Jato. Os quadros estavam guardados em uma galeria de artes, no bairro de Botafogo, no Rio, onde foram feitas buscas na última fase da Lava Jato. “No local encontramos outras oito obras, também apreendidas.”

VEJA QUADROS DO EX-DIRETOR DA PETROBRAS RENATO DUQUE ENTREGUES PELA OPERAÇÃO LAVA JATO PARA MUSEU OSCAR NIEMEYER 

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