Mulheres e o mercado financeiro, uma boa equação

Mulheres e o mercado financeiro, uma boa equação

Flavia Janini*

08 de março de 2021 | 10h25

Flavia Janini. FOTO: DIVULGAÇÃO

No dia da mulher, como não falar de igualdade de gênero? Trabalho no mercado financeiro há mais de 20 anos, e muito se avançou no debate sobre o tema. No entanto, há muito espaço para evoluir uma vez que o protagonismo feminino está longe de ser uma realidade em muitas instituições.

Muito tem sido feito para incentivar o aumento de mulheres no mercado financeiro. Eu mesma liderei algumas frentes nas organizações por onde passei, e atualmente participo de grupos onde trabalho, que entre as atividades, visa atrair e desenvolver mulheres universitárias interessadas em trabalhar no mercado financeiro.

Tive que tomar muitas decisões importantes para chegar até aqui. Uma delas, que acredito ter sido decisiva para a carreira que tracei, foi quando decidi seguir carreira internacional. Aos 25 anos fui responsável por um produto financeiro, em outro país, em um outro idioma. E se não bastassem esses obstáculos, tinha o desafio de ser mulher e brasileira em um ambiente predominantemente masculino. Foi a primeira vez que fiquei de frente com a “síndrome da impostora”, quando veio a pergunta: Será que sou boa o suficiente para assumir tudo isso? E foi aí que descobri que não era necessário eu já saber de tudo. Permiti aceitar que o aprendizado é contínuo e que todos, absolutamente todos, não importam sua idade ou posição, possuem suas vulnerabilidades. E se hoje ainda surgir alguns desses momentos, reflito sobre minhas conquistas até aqui, penso em pessoas que me inspiram e sigo adiante.

Debater o aumento do protagonismo feminino em ambientes historicamente ocupados por homens não é uma tarefa simples. É importante que a organização caminhe junto com as mulheres nessa empreitada, e que todos na organização, inclusive as mulheres, façam sua parte.

Um estudo recente do LinkedIn, o Informe de Percepção de Gênero, mostra que as mulheres sentem que precisam cumprir 100% dos requisitos solicitados para uma vaga, enquanto a maior parte dos homens, se arriscaria com apenas 60%. Por isso, é importante que todos façam parte desse processo: as organizações apoiando e criando condições para que as mulheres se sintam mais seguras e capazes, e as mulheres se arriscando mais, trabalhando para se sentirem cada vez mais confiantes de suas capacidades.

Como líderes mulheres, nosso papel é apoiar para que novas gerações se arrisquem mais, que vejam que é possível ter sucesso profissional sem abdicar de quem são e do que acreditam.

Um conselho que dou e acredito muito é para as mulheres acreditarem mais em si mesmas. Nos cobramos demais e sempre acreditamos que falta alguma coisa para darmos os próximos passos ou assumir uma outra posição. Se arrisquem. Aproveitem as oportunidades, façam sempre o melhor e principalmente trabalhem naquilo que acreditam. Se não se sentirem ouvidas em algum momento, peçam a voz. Não desistam de querer chegar mais longe.

*Flavia Janini, head de produtos e serviços transacionais do BTG+, operação de varejo digital do Banco BTG Pactual (BPAC11)

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