Mulheres de Wall Street: as primeiras, as mais poderosas e as mais jovens

Mulheres de Wall Street: as primeiras, as mais poderosas e as mais jovens

Denise Abramovici*

05 de março de 2021 | 08h30

Denise Abramovici. FOTO: DIVULGAÇÃO

Segundo Muriel Siebert, “o risco real está em continuar a fazer as coisas da maneira como sempre foram feitas”. Em Wall Street isso não é diferente. Em um campo majoritariamente dominado por homens, uma mulher alcançar o sucesso é algo extremamente impressionante. Ainda que nomes como Warren Buffett e Ray Dalio sejam reverenciados, algumas de suas pares femininas permaneceram relativamente anônimas.

Há várias executivas que merecem ser reconhecidas, não apenas por seus sucessos, mas também por quebrar barreiras que ainda pairam sobre tantas mulheres no mercado. A pioneira, e também primeira citação deste artigo, é Muriel Siebert, “Mickie” para os mais íntimos.

Desde que a NYSE foi inaugurada em 1817, dezenas de milhares de traders do sexo masculino tiveram o privilégio de possuir um assento no pregão da Wall Street. Foi em uma manhã de inverno no dia 28 de dezembro de 1967, 150 anos após a abertura da bolsa, que uma mulher recebeu a mesma honra; juntando-se aos outros 1,3 mil membros masculinos da bolsa na época. Aventureira nata, ela passou por diversos empregos informais e com um salário abaixo da média até fundar sua própria empresa de pesquisa institucional, Muriel Siebert, Inc., que está em operação até hoje.

A jornada de sucesso das mulheres perpassa o poder – diga-se de passagem, até hoje. Um exemplo disso é a própria presidência de bolsa de valores. Juntas, a NYSE e a Nasdaq respondem por 55% do capital social global, e atuam como o lar de ações de mais de 7,4 mil empresas e mais de 50 trilhões em capitalização de mercado. Em 2014, Adena Friedman foi promovida a presidente da Nasdaq. 4 anos depois, Stacey Cunningham tornou-se presidente da NYSE; desde então, as duas maiores bolsas de valores do mundo são lideradas por mulheres.

Engenheira por formação, Stacey é a primeira mulher presidente plena da bolsa em 226 anos. Enquanto Adena, estudante de ciências políticas antes de concluir seu MBA, percorreu um caminho que a transformou em Chefe de Produtos de Dados, CFO, COO e Presidente, ao longo das décadas.

Para que outras mulheres chegassem, as precursoras abriram caminhos e viabilizam cases mais recentes de sucesso, é o caso de Lauren Simmons, que com apenas 22 anos se tornou a negociadora mais jovem na bolsa da NYSE em 2017. Esse também foi um passo significativo para a comunidade negra, que antes só tinha uma mulher ocupando uma posição na bolsa.

Como negociante da Rosenblatt Securities, Simmons era responsável por centenas de milhões de dólares no fluxo de negócios diariamente; executar e reconciliar negociações enquanto compartilhava teses de investimento com investidores institucionais em todo o mundo.

Para deixar um legado, enquanto aposentava suas chuteiras, Lauren voltou sua atenção para inspirar futuras mulheres transformadoras. Por isso, passou a atuar também como palestrante motivacional e educadora de finanças para mulheres. Inclusive, um filme biográfico com foco em suas realizações está em produção.

No fim, este artigo celebra as mulheres que lançaram os fundamentos para as gerações futuras. Ainda assim, acredito que ainda exista um caminho significativo a percorrer, a fim de que as mulheres sejam representadas adequadamente, não apenas no mercado financeiro, mas no mundo dos negócios e em todas as frentes que as mulheres quiserem liderar e tomar espaços.

*Denise Abramovici é Head de Marketing LATAM da Stake

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