Mulher deu casa de R$ 800 mil por vaga em concurso de delegado e Enem para filha, diz Polícia

Mulher deu casa de R$ 800 mil por vaga em concurso de delegado e Enem para filha, diz Polícia

Apesar do valor, elas não conseguiram passar; Polícia Civil de Goiás deflagrou operação nesta segunda-feira, 30, contra fraudadores de provas e prendeu 8 suspeitos

Julia Affonso

30 de outubro de 2017 | 13h24

Foto: Clinton Cardozo/Free Images

Uma mulher deu uma casa avaliada em R$ 800 mil, em Goiânia, em troca de duas vagas em concursos: uma de delegada, para ela, e outra de Medicina, no Enem, para a filha, na Universidade Federal de Goiás. A negociação foi descoberta pela Polícia Civil do Estado e revelada após a deflagração da 3.ª fase da Operação Porta Fechada nesta segunda-feira, 30. Apesar do pagamento, mãe e filha não conseguiram passar nos concursos.

Vídeo de sala-cofre flagra fraudador de concursos para delegado trocando cartões-resposta

Durante a investigação, a mulher foi chamada pela Polícia para falar do caso, mas ficou em silêncio.

A Polícia suspeita que quatro alunos que compraram vagas estão cursando Medicina, na Universidade Federal de Goiás. Os investigadores relatam que os vendedores de vagas tentariam fraudar o Enem 2017, usando ponto eletrônico.

Nesta segunda, a Operação Porta Fechada cumpriu ordens judiciais contra grupos que fraudavam concursos e vestibulares por todo País. São investigados os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude em concurso público, corrupção ativa e passiva.

Oito investigados foram presos. O delegado Rômulo Figueredo de Matos, responsável pelo caso, aponta que foram cumpridos ainda 11 mandados de condução coercitiva e 17 de busca e apreensão, nas cidades de Goiânia e Nova Glória, em Goiás, e Brasília.

Esta fase da Porta Fechada se debruçou sobre fraudes no concurso de Delegado de Polícia. De acordo com os investigadores, os treze primeiros colocados na prova objetiva foram aprovados mediante compra de vagas.

Os valores variaram entre R$ 150 mil e R$ 450 mil. A quantia dependia ‘do bolso da pessoa’.

Parte dos alvos da Porta Fechada, segundo a Polícia, eram aliciadores que ‘identificavam possíveis compradores de vagas’. A Polícia relata que os aliciadores usaram o funcionário do Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos – órgão vinculado à UnB) Ricardo Nascimento da Silva para fraudar concursos.

O compradores de vaga entregavam as folhas respostas em branco ou com apenas poucas questões preenchidas. No dia seguinte à aplicação da prova o funcionário do Cebraspe pegava os cartões respostas, preenchia o documento durante a noite, quando já era possível acessar os gabaritos na área do candidato, e os devolvia para digitalização e conferência de erros e acertos.

De acordo com a Polícia, em 6 de fevereiro, Ricardo Nascimento da Silva pegou os cartões respostas, ao menos, de 16 candidatos que haviam entregue os papeis praticamente em branco por orientação do esquema. Após o preenchimento de 13 desses cartões respostas, Ricardo os devolveu ao Cebraspe no dia seguinte, para digitalização e conferência de erros e acertos.

Os outros três cartões respostas, segundo a Polícia, não foram preenchidos por desacordo quanto ao pagamento entre aliciadores e candidatos, motivo pelo qual estes não foram aprovados.

COM A PALAVRA, O CEBRASPE

O advogado Marcus Vinicius Figueiredo, que defende o Cebraspe, informou que o órgão tem atuado junto a Polícia Civil desde o início das investigações. Segundo o defensor, o Centro entregou documentação e filmagens à Polícia.

Figueiredo declarou que o Ricardo Nascimento Silva não é funcionário do Cebraspe desde março. O advogado afirmou que o ex-funcionário foi desligado por quebra de padrão de comportamento.

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