Mulher de operador de Cabral diz que marido levou R$ 10 mil ‘no bolso’ para comprar mesa

Mulher de operador de Cabral diz que marido levou R$ 10 mil ‘no bolso’ para comprar mesa

Monica Carvalho, ré em ação penal na Lava Jato, afirmou que Wilson Carlos, braço direito do ex-governador do Rio, 'tinha algumas reservas em espécie e cuidava da parte financeira da casa’

Julia Affonso

30 de abril de 2017 | 06h00

Monica Carvalho. Foto: Reprodução

A mulher do ex-secretário de Governo do Rio Wilson Carlos, informou à Operação Lava Jato, durante seu interrogatório na quinta-feira, 27, que o marido levou cerca de R$ 10 mil, em espécie, no bolso da calça jeans durante uma compra do casal em 2014. Os gastos da família de Wilson Carlos em dinheiro foram alvo de questionamento da Lava Jato.

Wilson Carlos e sua mulher Monica Carvalho são réus, ao lado do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), em ação penal sobre propina de R$ 2,7 milhões da Andrade Gutierrez sobre obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Wilson é apontado como o operador de propinas do peemedebista.

Segundo a denúncia, entre 13 de novembro de 2008 e 30 de março de 2015, Wilson Carlos fez 3 compras e quitou 26 faturas de cartão de crédito efetuando 61 pagamentos em espécie ‘de vultosas quantias’.

Os valores variaram entre R$ 1.450,00 e R$ 35.000,00 e somaram R$ 455.144,38. A força-tarefa da Lava Jato afirma que Monica, entre 6 de maio de 2014 a 30 de julho de 2016, fez quatro compras que somaram R$ 29.660, em dinheiro em espécie.

Durante o depoimento, o procurador da República Athayde Ribeiro Costa questionou Monica sobre uma compra feita em 6 de maio de 2014. Na ocasião, o casal comprou ‘uma mesa de jantar flat e seis cadeiras texas’ no valor de R$ 10,67 mil.

O procurador perguntou a Monica Carvalho se ela não achou ‘estranho’ o pagamento não ter sido com cheque.

“Não, sinceramente, eu não achei estranho”, declarou.

Athayde Ribeiro Costa quis saber como Wilson Carlos levou os R$ 10 mil.

A mulher afirmou que o dinheiro ‘estava no bolso’. “Ele usa calça jeans, normalmente.”

“Deu troco essa conta?”, quis saber o procurador.

“Não sei, foi ele que pagou. Eu não sei lhe informar. Eu estava ao lado, eu ajudei a escolher, mas o pagamento foi efetuado por ele, não por mim”, contou Monica.

O procurador a questionou também sobre os valores em espécie usados pelo marido e como eles eram guardados.

“O meu marido sempre trabalhou também em campanhas e ele recebia, ele era remunerado por isso”, disse. “Não é guardado debaixo do chão. Eu sei que meu marido tinha algumas reservas em espécie em casa, mas as quais ele cuidava.”

Segundo Monica, o marido era o responsável pela ‘parte financeira da casa’.

“Eu nunca tive acesso às contas, eu sempre deixei… eu não organizava, eu não guardava as contas, não. Na realidade, eu não guardava as contas, eu sempre deixei numa pastinha. Ele pegava as contas, ele providenciava os pagamentos, porque eu como dona de casa, com dois filhos e trabalhando o dia inteiro, eu realmente não daria conta ainda de cuidar de toda a parte financeira. Ele sempre fez isso desde o início do nosso casamento”, relatou.

 

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato