Mulher de ex-secretário da Saúde do Rio gastava dinheiro de propina em luxos no exterior, diz Procuradoria

Mulher de ex-secretário da Saúde do Rio gastava dinheiro de propina em luxos no exterior, diz Procuradoria

Segundo Ministério Público Federal, Verônica Fernandes Vianna movimentou pelo menos US$ 2,4 milhões em contas fora do país e gastou com cartões de crédito pelo menos US$ 745 mil

Fábio Grellet/RIO

07 de agosto de 2018 | 20h17

Sérgio Côrtes. FOTO FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) acusa a médica Verônica Fernandes Vianna, mulher do ex-secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes, de ter participado do esquema de corrupção liderado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), do qual seu marido também se beneficiou. Ela movimentou pelo menos US$ 2,4 milhões (R$ 9 milhões) em contas no exterior, diz o MPF-RJ.

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Durante viagens ao exterior, Verônica gastou com cartões de crédito pelo menos US$ 745 mil (R$ 2,8 milhões) arrecadados pelo esquema de propinas, segundo a acusação. Verônica foi denunciada por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na mesma denúncia também foram incursos Côrtes, nos mesmos crimes que a mulher, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, acusados de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O MPF-RJ pediu ainda que Côrtes e Verônica sejam condenados a devolver o dobro do valor obtido nesse esquema de corrupção.

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A denúncia foi aceita pela Justiça Federal no fim da tarde desta terça-feira, 7, segundo a TV Globo. Consultada às 19h30, a instância judicial não confirmou essa informação.

Segundo o MPF-RJ, em abril de 2011 Verônica abriu em um banco suíço uma conta que recebeu sete dias depois um depósito inicial de US$ 2,4 milhões. Parte do dinheiro dessa conta foi usado em viagens ao exterior. Em agosto de 2011, durante uma viagem a Veneza, na Itália, foram gastos US$ 20 mil (R$ 75,2 mil) em um hotel de luxo.

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Em maio de 2014 foram gastos US$ 90 mil (R$ 338,4 mil) em Las Vegas, nos Estados Unidos. Em compras em Nova York, durante viagens realizadas de 2011 a 2015, houve despesas em lojas como Prada (US$ 9,1 mil, ou R$ 34,2 mil), Hugo Boss (US$ 3,4 mil, ou R$ 12,7 mil), Torneau (US$ 7,7 mil, ou R$ 28,9 mil) e Bulgari (US$ 5,2 mil, ou R$ 19,5 mil).

Considerando também gastos com cartões pré-pagos, que são abastecidos com dinheiro antes de serem usados, o valor gasto sobe para US$ 1,4 milhão (R$ 5,2 milhão). Não se sabe em quais estabelecimentos os cartões pré-pagos foram usados.

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Esse dinheiro foi pago pelos empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, que são sócios, para que fossem ilegalmente beneficiados em licitações promovidas pela secretaria estadual de Saúde do Rio e por órgãos ligados à pasta.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A defesa de Sérgio Côrtes e sua mulher afirmou à imprensa que a denúncia é uma repetição de fatos já apresentados em outra acusação e que os valores depositados naquela conta foram espontaneamente devolvidos pelo ex-secretário em agosto de 2017.

A reportagem não localizou representantes dos demais denunciados.

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