Mulher de Eduardo Cunha pede a Moro que tome novo depoimento do marido

Mulher de Eduardo Cunha pede a Moro que tome novo depoimento do marido

Cláudia Cruz, ré da Lava Jato, solicitou ao juiz federal que ouça ex-presidente da Câmara no processo que ela própria responde por lavagem de dinheiro supostamente oriundo de propinas para o peemedebista

Mateus Coutinho

13 de fevereiro de 2017 | 19h47

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A mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), Cláudia Cordeiro Cruz, pediu ao juiz Sérgio Moro que ouça mais uma vez o seu marido, desta vez na ação penal em que ela própria é ré. A solicitação foi feita na sexta-feira, 10, três dias após o peemedebista depor ao juiz da Lava Jato e afirmar que o presidente Michel Temer (PMDB) participou, em 2007, de uma reunião com a bancada do PMDB para discutir as indicações do partido para diretorias da Petrobrás.

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Cabe ao juiz Moro decidir se acata ou não o pedido.

Para a defesa de Cláudia, o depoimento de Eduardo Cunha, que durou cerca de 3h na terça-feira, 7, ‘trouxe à baila fatos que interessam diretamente à defesa da sra. Cláudia, motivo pelo qual se faz imperiosa a sua inquirição na presente ação penal’.

O pedido foi encaminhado no mesmo dia em que Moro negou o recurso da defesa de Cunha solicitando a soltura do peemedebista.

A solicitação de Cláudia ocorre já depois de terem sido ouvidas as testemunhas de defesa e de acusação e ela própria ter sido interrogada por Moro na ação penal em que é ré acusada de lavar dinheiro de propina do ex-deputado por meio de contas secretas mantidas no exterior.

Atualmente, Moro aguarda ainda o retorno dos pedidos de colaboração para ouvir testemunhas que a mulher de Cunha arrolou no exterior.

RELEMBRE O INTERROGATÓRIO DE CUNHA NA LAVA JATO:

 

Investigação. Na ação contra Cláudia, a Procuradoria da República aponta que o ex-deputado teria recebido propina de US$ 1,5 milhão para “viabilizar” a aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011. O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, apontada como braço do PMDB no esquema de loteamento da Petrobrás.

Desse valor, US$ 1 milhão foram repassados para a offshore Kopek, que segundo a Lava Jato tem Cláudia Cruz como única controladora. Com apoio do Ministério Público da Suíça, a Lava Jato rastreou os recursos que aportaram na conta de Cláudia e identificou que eles foram utilizados, por exemplo, para pagar compras de luxo feitas com cartões de crédito no exterior.

Parte dos gastos dos cartões de crédito, que totalizaram US$ 854.387,31, foi utilizada, para aquisição de artigos de grife, como bolsas, sapatos e roupas femininas. Outra parte dos recursos foi destinada para despesas pessoais diversas da família de Cunha, entre elas o pagamento de empresas educacionais responsáveis pelos estudos dos filhos do deputado afastado, como a Malvern College (Inglaterra) e a IMG Academies LLP (Estados Unidos).

Cláudia ainda teria mantido, segundo a denúncia, depósitos não declarados às repartições federais na offshore Köpek em montante superior a US$ 100 mil entre os anos de 2009 e 2014, o que constitui crime contra o sistema financeiro nacional.

‘Poupança’. Em seu depoimento no último dia 7, Cunha afirmou que os recursos que mantinha em contas no exterior administradas por trusts eram usadas como investimento, uma “aplicação”. De acordo com o ex-parlamentar, os valores só eram usados para consumo e viagens ao exterior – e, portanto, não foram utilizados no Brasil.

“Há vários momentos nessa situação. Em todas usava como se fosse uma caderneta de poupança”, disse Cunha, durante o interrogatório.

 

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