Mulher de Cabral se diz ‘à disposição’ para explicar contratos com concessionárias públicas

Mulher de Cabral se diz ‘à disposição’ para explicar contratos com concessionárias públicas

Defesa de Adriana Ancelmo, em manifestação ao juiz Marcelo Bretas, declarou que ‘pretende colaborar com a Justiça’

Julia Affonso e Mateus Coutinho

23 de novembro de 2016 | 05h15

Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, deixa a sede da Policia Federal apos prestar depoimento na Operação Calicute (Lava Jato). Foto: Wilton Júnior/Estadão

Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, deixa a sede da Policia Federal apos prestar depoimento na Operação Calicute (Lava Jato). Foto: Wilton Júnior/Estadão

A defesa da advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), preso na Operação Calicute – desdobramento da Lava Jato -, informou ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, que ‘se coloca à disposição para prestar novos esclarecimentos’ sobre contratos de seu escritório de advocacia com empresas e concessionárias públicas do Estado.

No período em que seu marido governou o Rio, entre 2007 e 2014, Adriana faturou R$ 73,1 milhões, por meio de seu escritório de advocacia – parte dessa quantia por meio de contratos firmados com concessionárias públicas.

Adriana foi conduzida coercitivamente – quando o investigado é levado a depor e liberado – pela Polícia Federal na quinta-feira, 17, na Operação Calicute, etapa na Lava Jato no Rio. O Ministério Público Federal havia pedido a prisão da mulher de Sérgio Cabral, mas a Justiça Federal negou a custódia.

Em depoimento à PF, na quinta-feira, Adriana foi questionada sobre os contratos de seu escritório de advocacia com empresas e concessionárias durante os dois mandatos do marido (2007/2014). Ela invocou apenas o ‘direito de permanecer em silêncio, em razão do dever de seu sigilo profissional’.

Na manifestação enviada ao juiz Marcelo Bretas, na segunda-feira, 21, a defesa de Adriana declarou que a advogada ‘pretende colaborar com a Justiça, mas para tanto necessita que suas garantias constitucionais e prerrogativas profissionais, bem como de seus clientes, sejam preservadas’.

“Deste modo, tendo em vista elevada função de V. Exa. como garantidor dos princípios constitucionais, requer que seja intimado o Ministério Público Federal a fim de que informe se ainda há pontos que deseja elucidar e quais seriam estes, em razão de seu ofício profissional. Após o crivo e análise por este r. Juízo, se coloca à disposição para prestar novos esclarecimentos eventualmente deferidos”, anotaram os advogados Ary Bergher, Raphael Mattos e Bianca Alves.

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