‘Muitos não aprenderam com a lição de Tancredo Neves’, provoca Lindbergh em discurso contra impeachment

‘Muitos não aprenderam com a lição de Tancredo Neves’, provoca Lindbergh em discurso contra impeachment

Senador petista repete retórica do 'golpe' e lembra que avô do tucano Aécio Neves foi contra a deposição de João Goulart em 1964

Mateus Coutinho

11 de maio de 2016 | 23h15

lindbergh

O senador Lindbergh Farias. Foto: Agência Senado

Em um discurso inflamado contra o impeachment de Dilma Rousseff, o senador petista Lindbergh Farias aproveitou para atacar indiretamente o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. O parlamentar lembrou do episódio em que o Congresso depôs João Goulart, em 1964, e que na época a manobra foi duramente criticada por Tancredo Neves, avô do tucano que sempre utilizou a imagem simbólica e o legado de seu parente para se promover politicamente.

“O presidente do Congresso Nacional, Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente da República quando João Goulart estava no Brasil, naquele momento Tancredo Neves, e muitos não aprenderam com a lição de Tancredo Neves, mas Tancredo sempre esteve contras os golpes, esteve com Getúlio (Vargas), esteve com Juscelino (Kubitschek), esteve com João Goulart. Sabe o que Tancredo disse para Moura? Canalha!Canalha!”, afirmou Lindbergh.

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Em seu discurso o petista reforçou a retórica do golpe adotada pelo PT e ainda afirmou que o maior derrotado do episódio é o PSDB. “É o maior derrotado. O senador Aécio, em julho, tinha 35% das intenções de voto. Agora tem 17%. Eles não tiveram coragem e altivez de demarcar campo com aqueles que defendiam a intervenção militar. Ficaram de braços dados com Bolsonaro”, disse o parlamentar.

Tanto Lindbergh quanto Aécio são investigados pelo Supremo Tribunal Federal nos desdobramentos da Lava Jato. O petista está sob suspeita de receber propinas referentes a obras da Petrobrás no Rio como doação eleitoral oficial em sua campanha ao Senado em 2014, o que ele nega. Já o tucano é alvo de dois inquéritos, um por suspeita de participar de um esquema de corrupção em Furnas, e outro por suspeita de atuar para interferir os trabalhos da CPI dos Correios que poderiam revelar o envolvimento de nomes do PSDB envolvidos no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro de Marcos Valério, operação do escândalo que cumpre atualmente 37 anos de prisão.